A quem interessa o fechamento da UERJ?

06/set/2017, 13h08

Por Theo Louzada, militante do Juntos! RJ

Ontem (5) tivemos mais uma notícia de enorme gravidade para a educação brasileira – a Subsecretaria de Relações Financeiras Intergovernamentais, vinculada ao Ministério da Fazenda, fez um parecer sugerindo ao Governo do Estado do Rio de Janeiro “a revisão de oferta do ensino superior”, junto com a “demissão de comissionados e servidores ativos”. A lógica do Governo Temer e Meirelles é a de que, para organizar as finanças do Estado, deve-se fazer grandes cortes, em especial nos setores sociais, para assim manter uma suposta estabilidade econômica. Nisso, o fechamento de universidades como a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, do Norte Fluminense e da Zona Oeste seriam um meio para alcançar esses fins.

O Governo Estadual, por outro lado, afirmou em nota que não cogitava a privatização da UERJ, esquecendo – propositalmente ou não – de citar a UEZO e a UENF, também ameaçadas pelo parecer da Fazenda. Sabemos que a confiança que podemos ter com Pezão e sua máfia também é mínima num cenário de tentativas de privatização da CEDAE e de constantes atrasos nos pagamentos dos funcionários do Estado. Essa “garantia” não nos serve de nada.

Agora o que nos resta saber é: se não existe dinheiro para continuar mantendo as universidades estaduais do Rio de Janeiro, em que de fato está sendo gasto o que é arrecado pelo Governo Federal e Estadual. Não é pouco simbólico o fato de nomesmo dia que esse parecer é firmado são descobertos 51 milhões de reais desviados na casa de Geddel Vieira – antigo ministro de Temer, agora preso preventivamente pela Lava-Jato. Não bastasse esse exemplo de para onde vai a verba do Governo Temer, a nível Estadual, mais de 16 milhões foram concedidos para empresas de telefonia no começo desse ano. Estranha prioridade em tempos de crise, não?

O que nos parece evidente é que dinheiro para investir nas estaduais existe, e muito! O que falta é interesse. O mesmo montante que descobrimos que é desviado ou facilmente concedido às grandes empresas poderia salvar essas universidades da atual situação de precarização e do risco de fechamento. A prioridade desses Governos não é salvar uma universidade como a UERJ, que tem cursos renomados em todo Brasil e que mesmo em uma situação de precarização continua tirado notas máximas no ENADE, mas sim manter o esquema entre as grandes empresas e a casta política no poder, que não deixa nenhum espaço para os interesses da enorme maioria dos brasileiros.

Esse ataque à essas universidades é um ataque à toda educação brasileira. Por isso continuamos a apostar e acreditar na luta da UERJ, UEZO e UENF e sabemos que a educação estadual do Rio de janeiro resiste!