A Trensurb é nossa: Contra o aumento da passagem e a privatização!

03/set/2017, 15h47

Fernando Berwanger Barbosa

“Meu Povo sente fome, tem que ganhar dinheiro
Pra isso precisa ser o que não quer o dia inteiro
Hoje eu vou pular catraca na moral, não vo pagar 2 e pouco num serviço
que não vale um real
Tem um pilantra comprando iate enquanto a gente se bate
pra pagar pra ele à vista a ceia de Natal”
(Rap do Ônibus, Projota)

Os versos do Projota ilustram o cotidiano da juventude e dos trabalhadores: enquanto os corruptos balançam no andar de cima, a população é esmagada no transporte público. Se não bastasse o tradicional descaso com o transporte coletivo, agora, os usurários da Trensurb são surpreendidos com a notícia de que a tarifa poderá aumentar em 47%, passando dos atuais R$ 1,70 para 2,50. Isso significa um duro golpe para a população da Periferia Urbana de Porto Alegre.

A empresa estatal é responsável pelo transporte entre a Região Metropolitana e Capital, opera com 22 estações entre Novo Hamburgo e Porto Alegre, atinge ainda, com o Sistema de Integrações, outros municípios, como: Sapiranga, Campo Bom, Portão, Montenegro e São Sebastião do Cai. Só no ano de 2016, a Trensurb transportou mais de 56 milhões de passageiros, o equivalente a média de 4.680.125 passageiros por mês. Sem o metrô não há mobilidade na Região Metropolitana.

A direção da empresa encaminhou o pedido de aumento da passagem ao Ministério das Cidades, chefiado por Bruno Araújo (PSDB). O Ministro que é investigado por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, é suspeito de ter recebido R$ 600 mil em propina. Não podemos aceitar que os corruptos decidam que os trabalhadores e a juventude paguem a conta da crise.

As justificativas para realização deste aumento são de modernizar a bilhetagem eletrônica e “diminuir o subsídio do governo federal”. Junto dessa política de diminuir a participação do governo, vem a fórmula para a privatização: sucateamento do serviço para dizer que não funciona. O transporte público não é um gasto, e sim um direito.

Há tempos a Trensurb está na mira das privatizações. Em 2015, o Governo Dilma (PT/PMDB) já havia demonstrado seu interesse na privatização da empresa. Com isso, aumentou o número de funcionários terceirizados, precarizando o serviço e as relações de trabalho. Agora, mais uma vez o temeroso fantasma da privatização ronda a empresa.

Ter um metrô privado é ter um transporte caro e de péssima qualidade. Em cidades como o Rio de Janeiro, onde as linhas de trem foram privatizadas há 20 anos, a tarifa custa R$ 4,30. Em Brasília, onde serviço é operado com Parceria Público-Privada (PPP) a passagem custa 5 reais. Queremos que a Trensurb continue sendo uma empresa pública e de qualidade. O direito ao transporte não é mercadoria!

Além disso, os funcionários da Trensurb trabalham com o medo e insegurança. Os assaltos nas bilheterias são frequentes e só no mês de julho foram registrados 3 arrastões nos vagões. Vale ressaltar que há anos, acontece uma nefasta política de distribuição de cargos entre partidos dos governos. Hoje, PSDB, PMDB e PSD loteiam os cargos, a empresa possui mais de 20 CCs (cargos em comissão).

Não por acaso a Lista de Fachin, fruto da Operação Lava-Jato, atingiu em cheio dois ex-diretores da empresa e políticos gaúchos. Segundo delatores da Odebrecht eles teriam recebido propina durante a ampliação da linha Vale dos Sinos. Em documentos apresentados constam registros de repasses de R$734,7 mil ao deputado do PT Marco Maia, R$ 934,5 mil ao ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, R$ 260,3 mil a Marco Arildo e R$ 38,7 mil a Huberto Kasper. Já Eliseu Padilha (PMDB) recebeu R$ 1,49 milhão de propina, segundo a empreiteira. Não podemos aceitar que a empresa fique na mão dos corruptos. Que os jatos da operação Lava Jato cheguem bem longe e investiguem todos, doa a quem doer.

A Trensurb é nossa! Exigimos uma auditoria cidadã nas contas, abertura das planilhas e revisão dos contratos. Queremos um transporte coletivo 100% público e de qualidade. Passe livre para estudantes e desempregados. Rumo à Tarifa Zero! Queremos a demissão dos “cargos políticos” na empresa. Por uma gestão democrática, popular, transparente e dos trabalhadores. Por melhores condições de trabalho para os metroviários, com segurança e capacitação.

Na fundação da Trensurb está previsto que a passagem deve cumprir um papel social. Realizar este aumento, em meio à crise, significa retirar dinheiro do bolso dos trabalhadores e da juventude para dar aos ricaços e corruptos. Com o desemprego em alta, e com a redução do salário mínimo, muitas pessoas estão trabalhando no mercado informal, ou seja, não possuem carteira assinada, nem vale transporte. Em contraponto, o governo Sartori, aliado de Temer, segue dando o bolsa-empresário de 9 bilhões ao ano. Isto é retirar dinheiro público da saúde, da educação, e do transporte para dar aos ricaços.

R$ 2,50 é um assalto! Mas é possível derrubar o aumento da passagem. Já conseguimos isso nas Jornadas de Junho de 2013 em Porto Alegre e dezenas de capitais. A força do povo unido é nossa arma contra os poderosos. É preciso organizar nossa indignação para termos direito a um futuro digno. Convocamos todas e todos às ruas, para defender o patrimônio público, contra os ataques de Temer e Sartori. Direitos não se liquidam! A Trensurb é nossa!