É Pela Vida Das Mulheres!

25/set/2017, 09h44

É pela vida das mulheres! Segundo um estudo realizado pelo Instituto de Bioética e Universidade de Brasília e financiado pelo Ministério da Saúde demonstrou que em 2015 uma em cada cinco mulheres de 40 anos já havia feito pelo menos um aborto no Brasil, isso significa 4,7 milhões de mulheres brasileiras entre 18 e 39 anos já abortaram, um aborto por minuto. O aborto é uma realidade inegável em nosso país.

No mundo, 47 milhões de mulheres morrem todos os anos por conta de abortos inseguros. No Brasil, são milhares a cada ano – quatro mortes de mulheres são registradas todos os dias em hospitais por conta de abortos inseguros e essas são apenas as registradas, já que o aborto é ilegal muitos casos não vem a tona. Se feito de maneira segura, no entanto, até a décima semana o número de causalidades é próximo a zero. Podemos afirmar então que caso o aborto fosse legalizado estaríamos salvando a vida de milhares de mulheres brasileiras todos os anos.

O artigo 196 da Constituição Federal explicita que ‘a saúde é direito de todos e dever do Estado’. É dever do nosso Estado assegurar a vida das mulheres que hoje morrem ao abordar através de medidas de saúde pública, através de procedimentos seguros, que seriam muito mais baratos do que os custos relacionados a interrupções clandestinas. No entanto, isso não pode ser uma realidade em um país em que o aborto é proibido porque as mulheres, em seu desespero, abortam com plantas e agulhas, sangram no banheiro e morrem ao chegar ao hospital.

Além disso, nosso congresso corrupto planeja colocar ainda mais retrocessos à saúde das mulheres. A PEC 181/2015 ou Cavalo de Tróia, proposta pelo deputado Tadeu Mudalen (DEM-SP) acrescenta a constituição o direito à vida desde a concepção, isso significa que mulheres que tem risco de vida por conta da gravidez, e que tinham seu direito garantido pela lei, não poderão mais abortar. Outro ataque é a PL 6335/2009 de Gonzaga Patriota (PSB), que garante a médicos o direito de objeção de consciência, mesmo nos casos legalizados, como no risco de vida, estupro e feto anencéfalo, as mulheres poderiam não encontrar um médico disposto a fazer o procedimento. Assim, mais mulheres ainda irão morrer.

A legalização do aborto não é uma questão de convicções pessoais, mas de saúde pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde as leis contra o aborto não são capazes de frear a prática, mas em países onde a prática é legalizada estratégias de planejamento familiar e acesso à saúde levam a uma queda no número de procedimentos. É o caso do Uruguai, que desde a legalização viu um aumento de 30 por cento em casos de desistência do aborto. Outras medidas de diminuição nas taxas da prática são a educação sexual em escolas e acesso a métodos contraceptivos.

Quando defendemos a legalização do aborto, não defendemos o aborto, defendemos a saúde das mulheres. Por isso nesse dia 28 de setembro devemos ir às ruas contra as PECs que ameaçam nossos escassos direitos, contra a precarização da saúde e o desmonte do SUS e pela vida das mulheres!

#PrecisamosFalarSobreAborto