Não é intolerância, é RACISMO!

13/set/2017, 15h45

Por Tauan Satyro, umbandista e militante do Juntos! – RJ 

Muito tem se falado dos vídeos que estão circulando na internet, onde traficantes expulsam uma mãe e um pai-de-santo da favela, derrubando o barracão e arrebentando suas guias, ameaçando-os de morte em caso de qualquer tentativa de reconstrução do local.

É legítimo que estas imagens sejam divulgadas e que circulem na internet e em todos os meios de comunicação. Mas é ingenuidade enxergar isso como uma ação do tráfico, pois trata-se de algo muito mais profundo.

O que vem se intensificando nos últimos dias, não pode ser chamado de intolerância religiosa, mas sim de racismo. Pois representa o ódio contra aquilo que está ligado ao povo africano e a sua cultura. Se fosse uma questão de intolerância a outra religião, teríamos igrejas católicas e templos budistas, entre outros espaços religiosos, também sendo violentados.

Trata-se de um racismo que é estrutural e estruturante das relações sociais. E fazer uma leitura disso como questão de intolerância, é maquiar uma violência que faz parte da formação social do nosso país.

Para além disso, tem uma questão. O que nos vídeos, apesar de ter sido uma ação cometida por traficantes, não é ação do trafico local, mas sim, fruto do projeto de poder de igrejas como a do prefeito do Rio de Janeiro, o bispo da Universal, Marcelo Crivella.

E para entender isso, não é preciso dirigir-se a uma dessas igrejas, nem ler o livro do Edir Macedo, líder da universal e tio do nosso prefeito. Basta ligar a televisão em canais como a Rede Record, durante um dos programas destas igrejas, para ver como o ódio contra as religiões de matriz africana, que leva a pratica de atos como os vistos nos vídeos, é alimentado diariamente em rede nacional.

Logo, é preciso dizer, que a justiça também tem a sua parcela de culpa. Já que essa violência é propagada diariamente e de forma aberta, sem que os responsáveis recebam qualquer punição. Estes programas propagadores do ódio e racismo, seguem tendo sua transmissão permitida no rádio e na televisão, e a nossa justiça só se move, quando os violentadores, chegam ao ápice, como no caso da senhora Maria da Conceição, candomblecista, apedrejada em Nova Iguaçu.

Há de se ressaltar um outro dado relevante desta questão, no momento em que as denúncias de crimes deste tipo crescem de forma gritante, é também o momento em que além do nosso prefeito bispo, temos como a segunda maior bancada do congresso nacional, a bancada evangélica, não sendo isso mera coincidência.Portanto, mais do que nunca, nós, povo de santo, precisamos nos unir, fortalecer uma corrente de resistência, exigindo respeito às nossas crenças e à memória dos nossos ancestrais.

Precisamos, juntos, dizer que não aceitaremos que toquem em nossas guias, que estes crimes fiquem impunes, e que não nos submeteremos ao projeto de poder dos que querem governar o país com base dogmatismo religioso.

Axé!