No extremo oeste do Amazonas, o massacre continua.

12/set/2017, 11h47

Por Tauan Satyro, do Juntos! RJ

Trata-se de um genocídio étnico e cultural que teve início com a invasão europeia em 1500. Sua continuidade se deu por toda a história do Brasil pós-Cabral, e acaba por ser incentivada pela política anti-indígena do governo Temer.

O massacre contra os índios “Flecheiros”, confirmado pelo Ministério Público Federal, cometido por garimpeiros na TI Vale do Javari, não é um acontecimento isolado. Ele faz parte da formação social do país e é hoje estimulado por uma política de ataque aos direitos dos povos indígenas tocada por Michel Temer, visando o apoio da bancada ruralista e a defesa do agronegócio.

Foto aérea de uma aldeia queimada, feita em dezembro de 2016 pela Funai, em sobrevoo, pode ser o indicativo de um massacre dos indígenas Warikama Djapar, denunciado pelos indígenas Kanamari em julho. fonte: carta capital

A história do nosso desenvolvimento foi escrita em cima de corpos indígenas, osterritórios considerados sagrados por esses povos, foram transformados em imensos cemitérios para que a “ordem e o progresso” pudessem passar, e assim segue sendo.

Além do massacre contra os “Flecheiros”, a PF está investigando um segundo ataque, este cometido contra os Warikama Djapar, também na TI Vale do Javari, denunciado por indígenas Kanamari, que teria levado cerca de 18 a 21 índios isolados à morte. Segundo as investigações, o crime teria sido ordenado por um produtor agrícola, no mês de maio.

O corte no orçamento da Fundação Nacional do Índio, a tentativa de implementação da tese do marco temporal e o claro incentivo a exploração de minérios através de decreto presidencial que atinge áreas de preservação florestal na Amazônia fazem de Michel Temer um dos grandes responsáveis pelos ataques recentes contra os povos indígenas do país. O decreto de exploração da RENCA permitia, por exemplo, o uso da área por mineradoras privadas e só não entrou em vigor por impedimento da Justiça, após grande pressão.

A cada ato de seu governo, Temer tem contribuído com esse histórico derramamento de sangue. Sua política claramente anti-indígena, alimenta o ódio contra os povos e os deixam cada dia mais vulneráveis a ataques contra suas vidas.

Esse governo tem sido um verdadeiro gestor da barbárie e por isso repudiamos sua política anti-indígena, nos colocando contra Temer e bancada a ruralista, do boi, da bala e da bíblia. Exigimos o prosseguimento dos processos demarcatórios, a garantia dos direitos dos povos originários e a punição dos responsáveis por qualquer tipo de violência cometida contra estes. É um dever do Ministério Público Federal fazer com que estes crimes não passem despercebidos e os responsáveis respondam por seus atos racistas e genocidas.

Nos colocamos contrários a qualquer corte orçamentário que atinja a vida dos povos indígenas. Não aceitamos que estes, com os quais o país tem uma dívida eterna, paguem a conta da corrupção enquanto o governo dá uma série de isenções a banqueiros e grandes empresários.

Por isso dizemos FORA TEMER, não a política anti-indígena do Estado, não ao genocídio dos povos indígenas e gritamos por DEMARCAÇÃO JÁ!