Em defesa da liberdade artística! Censura nunca mais!

09/out/2017, 16h22

Por Fabiana Amorim, estudante de produção cultural e do Juntos RJ

Após uma série de tentativas fracassadas de impulsionar seus protestos a favor das Reformas de Temer e pela retirada de direitos, o MBL, “grupo da mão invisivel” – como bem denominou a revista Piauí recentemente, após descobrir seu financiamento e sua política de disputa interna no PSDB – passou a ter como alvo de suas difamações, a arte e os artistas brasileiros. Estes ataques tomaram peso após a exposição do Queer Museu no Santander Cultural de Porto Alegre e transbordaram, após a foto divulgada de uma criança presente na performance do bailarino Wagner Schawatz no MAM de São Paulo.

A nudez é algo muito presente em diversas expressões artísticas, em especial no teatro, que trabalham com diversos tabus que foram construídos sobre os nossos corpos ao longo das gerações. É evidente que nenhuma desses trabalhos artísticos difamados pelo MBL, que de maneira completamente oportunista têm jogado com o senso comum da população, de fato incentiva a pedofilia. Não só porque são trabalhos sérios que buscam quebrar paradigmas, mas porque encarar a pedofilia seriamente, passa por debater os modelos de família que temos hoje, já que a maioria dos casos ocorrem dentro do círculo familiar das crianças.

Mas mais do que um debate sobre pedofilia, ou sobre arte boa ou arte ruim, o que o MBL e a direita mais reacionária brasileira querem fazer, é calar as vozes rebeldes da contra-cultura brasileira. Escondem nesta cortina de fumaça em “defesa da ética e da moral”, um projeto de sociedade que não somente é conservador, mas carrega uma agenda política de inúmeros retrocessos, como a venda de patrimônios e cortes de direitos.

Até mesmo os prefeitos Dória e Crivella, sem nem ao menos visitarem a exposição do Queer Museu, vetaram a vinda da mesma nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, argumentando que a exposição incentiva a pedofilia e a zoofilia. Seria engraçado se não fosse trágico, pensar que a “preocupação com as crianças” que Crivella diz ter, não se aplica nas comunidades que fecharam escolas e creches durante quase todos os dias do ano letivos de 2017, por conta de uma guerra instaurada na cidade do Rio de Janeiro, sem absolutamente nenhuma resposta e medida concreta do prefeito-bispo-crítico-de-arte.

Mas o movimento de cultura não se cala. Na noite de ontem, mais de 100 artistas, dentre eles Caetano Veloso, Marisa Monte e Vik Muniz, decidiram reagir em bom tom cada vez que a liberdade artística for difamada e ameaçada no país. Além de entrar com processos na Justiça por difamação, os artistas lançaram uma campanha # 342 artes – Contra a censura a difamação, para coagir estes grupos políticos que têm ameaçado a liberdade artística no país. O lançamento do Festival de Cinema do Rio, também foi protagonizado por diversos protestos do público e de artistas contra a censura.

Nosso país, que carrega em si uma arte diversa, plural, contra-hegemônica e construída com muito suor do nosso povo, não vai se curvar à esta tentativa de calar aqueles que enxergam a vida para além da dureza do dia a dia. Seguimos firmes em defesa dos trabalhadores, da arte e da liberdade.