Pelo direito do povo da Líbia viver e ser livre!

29/nov/2017, 10h31

Por Erick Andrade, do Juntos! – DF

A luta do povo negro é uma luta mundial e a situação da Líbia trás um debate necessário de ser feito: a escravidão em muitos lugares não acabou!

Há uma semana, um vídeo publicado pela CNN trouxe como funciona o tráfico de jovens da Líbia, mostrando jovens negros surrados, sequestrados e leiloados, causando uma onda de indignação internacional e escovando uma ferida histórica. Toda a situação trazida no vídeo já vinha sendo denunciada e exposta há muito tempo por muitas organizações sociais e pelos próprios libianos que sofriam a violência na pele. Muitos também estuprados, viam suas vidas e corpos servirem ao mercado branco e rico de dominação, que disputavam quem dava mais por cada um líbio, leiloados como objetos numa feira, onde o sangue que escorre é negro.

As autoridades e chefes de Estado da Líbia e de muitos outros países se disseram indignados, mas muitos deles lucram absurdamente com o mercado de escravismo e mantém seu domínio territorial sob África e sob o povo com a mesma sangrenta violência exposta no vídeo.Têm direitos arrancados, são desconsiderados humanos e vivem aquilo que para muitos ficou no “passado”, mas que engana. O máximo que os poderosos dizem tentar fazer é “humanizar” o capitalismo. Toda a condição histórica que os países africanos vivem tem relação direta com o racismo, que foi aprofundado como justificativa para dominação econômica, social e política da humanidade, e que em momentos de reorganização mundial de um sistema é o povo negro que responde a sustentação de base da exploração, tendo desqualificada em dobro a sua mão de obra, servindo a sustentação da Europa e a sua realocalização econômica na disputa de potências. A periferia paga a conta no Brasil, e África paga a conta do mundo.

Humanizar o capitalismo não é viável e a situação da Líbia demonstra com sangue a incapacidade do sistema de se reorganizar a partir da manutenção do lucro como meta de sociabilidade. Não existe alternativa para o povo negro se não rompermos com o capitalismo e construir uma sociedade igualitária.

Não temos que esperar um vídeo de um canal de televisão para se indignar e exigir o fim da escravidão e das condições que o povo negro são colocadas. É preciso mais que solidariedade aos líbios, é preciso lutarmos lado a lado e dar visibilidade a uma questão que nem a mídia brasileira, nem mundial dá. As grandes manifestações na África do Sol e no Marrocos, com a população tomando as ruas, os posicionamentos de jogadores de futebol e intelectuais também são fundamentais para que a luta da Líbia é de África seja uma luta de todo o mundo!

Pelo direito do povo da Líbia viver e ser livre!