Atura ou Surta: balanço do Juntos! no 42° CONUBES

*Por Juntos nas Escolas!

O 42° Congresso da UBES, veio em tempos de profunda crise, onde uma casta de política e corrupta impõe de cima para baixo a retirada de direitos dos estudantes e da classe trabalhadora como um todo. Mas, apesar da ofensiva neoliberal, os estudantes já demonstraram sua força através das ocupações de escolas iniciadas em 2015 contra o projeto de reorganização do ensino médio imposto pelo tucano Alckimin – que tentou impor o fechamento de 94 escolas do estado. Já demonstramos que temos poder para barrar qualquer investida contra nossos direitos.

As vitórias das lutas enfureceram os poderosos, que desde o ano passado tentam acabar com a nossa liberdade de expressão e senso crítico com o Escola sem Partido. Essa mesma corja política aprovou o congelamento dos investimentos nas áreas de educação e saúde e a Reforma do Ensino Médio, agravando ainda mais o desmonte da educação pública. Aliado à Reforma da Previdência, querem acabar com o direito da juventude de ter um presente e um futuro.

Diante de tantos ataques ao ensino e à juventude, se faz essencial que os estudantes radicalizem as lutas sociais, e as entidades que se propõem a representar o movimento estudantil têm a tarefa central de estar em cada escola, construindo um projeto de educação diferente, de baixo pra cima.

As ocupações de escola demonstraram que a UBES que queremos precisa ir muito além. Para barrar os ataques e o conservadorismo dentro das nossas escolas, é necessário que tenhamos uma entidade nacional sem amarras com a velha política e com este regime apodrecido. As nossas vitórias virão não dos acordos com os de cima, mas com o empoderamente e a luta dos debaixo.

O 42° Congresso da UBES, terceiro na qual o Juntos participa, nos demonstrou, não somente entre os 4 dias de Congresso, mas durante todo o processo de tiragem de delegados, de que há ainda latente nas escolas um sentimento de insatisfação com a atual situação das escolas e do país. Mesmo com as derrotas que tivemos com a PEC 55 e a Reforma do Ensino Médio, a geração de secundaristas que ocupou escola sabe como se faz para ocupar a política e tomar nas mãos o que é seu por direito.

Diante dos desafios gigantescos que temos pela frente, com governos que retiram dinheiro da educação para pagarem suas crises de um lado, e de uma geração radicalizada que colocou esses mesmos governos contra a parede de outro, não podemos mais aceitar que a UBES esteja em cima desse muro. Intervimos no Congresso da UBES em defesa de uma entidade que tenha lado nas batalhas que virão, que não aceite o desmarque da greve geral e nem utilize da entidade como palanque eleitoral. A UBES que batalhamos, será construída debaixo pra cima e não titumbeará diante da luta em defesa dos direitos da juventude e dos trabalhadores.

O Juntos! nas Escolas é um movimento secundarista ainda novo, mas que esteve no seu 3° Congresso da UBES, como aqueles que já possuem sua trajetória de luta nas escolas, que carrega em seu DNA a geração que radicalizou o movimento secundarista e que aposta todas as suas fichas que é dali que surgirá o novo frente a podridão da política. Nossa bancada de ativistas representou aqueles que estão construindo em cada grêmio estudantil de cada escola, a educação e o futuro que acreditamos;

A nossa tese foi construída por diversos estudantes, os espaços de debates e decisões eram plurais e democráticos, e todos tinham direito de voz e voto. Queremos ocupar a UBES como ocupamos as escolas e fazer com que a entidade compreenda os anseios e as necessidades de uma juventude que nega o velho e aposta no novo.

A presença de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, e Pará na nossa bancada foi importante para gritarmos à entidade que é preciso radicalizar pra que possamos garantir os nossos direitos. Defendemos incessantemente que era necessário que a greve geral que estava marcada para o dia 5 não se transformasse num dia de lutas somente, e que nesse sentido era importante que a UBES jogasse todo seu peso pra construção de atos contra as reformas do governo Temer. Inclusive, lutar contra a casta política corrupta em defesa do nosso futuro se mostrou acertado na semana passada, quando 250 mil argentinos e argentinas foram as ruas contra a reforma previdenciária de Macri.

Com a volta do Congresso, muitos desafios foram lançados aos secundaristas, que se reuniram com estudantes do país inteiro e agora caminham em direção ao real objetivo: descentralizar a política e suas ramificações sociais em seus municípios e escolas, com a criação de grêmios, GARANTIDA pela lei nº 7.398/85. É de extrema importância para que haja representação estudantil dentro das escolas, um real trabalho de base, garantindo aos estudantes o entendimento de que é necessário ocupar a UBES.

E que essa mensagem seja passada a todos os estudantes: vocês não estão sozinhos! Muitos secundaristas na época das ocupações, ouviram que seu movimento era pequeno e não fazia parte de um todo. Mas, o contrário foi provado, o movimento secundarista vive e (re)existe e, quando organizado e coerente, consegue transformar o Brasil! Aturem ou surtem nosso retorno às escolas com uma agenda de lutas para colocar na lata do lixo da história o Projeto Escola Sem Partido e todo o retrocesso que o conservadorismo coloca na ordem do dia, no dia a dia das escolas, unificando os estudantes para dizer que quem manda no futuro é o estudante que ocupa!

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