Contra a demissão dos 1,2 mil professores da Estácio: reforma trabalhista é retrocesso!

07/dez/2017, 13h14

 Por Hemilly Renally, militante do Juntos! SP e estudante da UNIP Ribeirão Preto

Essa semana foi anunciada a demissão de 1,2 mil docentes da Estácio, a segunda maior rede de ensino do Brasil. Outros 1,2 mil serão contratados com salários mais baixos através de contratos intermitentes que pagam apenas por horas trabalhadas, sem nenhum direito garantido pela CLT. Este é apenas um exemplo de como a Reforma Trabalhista é um dos enormes e inúmeros retrocessos legislativos e, sobretudo, social, que a população vem sofrendo.

O acordo entre empresários e governo chamado de reforma extirpa a função social da lei trabalhista, a substituindo pela vontade dos grandes empresários e financiadores da classe política corrupta que a aprovou. É evidente que os impactos negativos da reforma atingem diretamente os trabalhadores que deveriam ser os principais protegidos por ela, entretanto, os danos vão além de tão somente as relações trabalhistas, seus impactos são sentidos em todos principais setores da classe que mais sofrem com a desigualdade e com essas reformas, e que embora compõem minorias sociais são a maior parte da população, como mulheres, LGBTs e negritude.

O caso Estácio vem mais uma vez, agora ao lado da Reforma Trabalhista, escancarar o colapso educacional que estamos afundados. Cortes cada vez maiores no investimento em Ciência e Educação transformaram universidades públicas, antes referências, em instituições sucateadas beirando o fechamento, intencionalmente esquecidas pelo governo ilegítimo de Temer, na intenção de colocar a máquina das instituições privadas para funcionar. O congelamento dos investimentos em educação e a Reforma do Ensino Médio prejudicam todos os setores da educação, do ensino fundamental ao superior, se arrastando também às grandes universidades privadas.

Nos últimos anos as instituições privadas de ensino vem abrindo mão da qualidade educacional ao visar somente lucro em seus empreendimentos e fusões, como é o caso da Estácio e da Kroton. O descaso da Estácio com seus docentes estende-se ao seus alunos já que escolas públicas mostram o quanto salários baixos e desmotivação dos professores precarizam a qualidade do ensino e não podemos esperar resultados diferentes nas universidades.

Programas como PROUNI e FIES inserem a população no ensino superior, mas estão bem longe de garantir que os mesmos tenham acesso ao ensino superior de qualidade, as instituições como Estácio, UNIP e Kroton obtém lucros exorbitantes com tais programas e com as mensalidades altíssimas pagas pelos alunos, mas a mecanização do ensino se mostra cada vez mais presentes em seus métodos educacionais.

Os jantares e emendas continuam a serem oferecidos, enquanto a nossa dignidade enquanto cidadão é arrancada todo dia quando vemos os milhões que nos são tirados em malas e estocados em apartamentos. Congelam nossa saúde enquanto pessoas morrem nas filas do SUS, praticam a higienização das cidades enquanto pessoas morrem de frio nas grandes cidades, fiscalização de trabalho escravo é afrouxada, profissionais demitidos para terem seus cargos barateados, indenizações sendo aplicadas com base no salário do trabalhador, “acordos” entre patrão e funcionário tendo força de lei e ignorando o quão desigual é essa relação. Esses são inúmeros exemplos de barbáries protegidas pela legalidade que provam que ESSA CASTA POLÍTICA CORRUPTA NÃO NOS REPRESENTA. E TEMER É INACEITÁVEL!

Não podemos deixar a indignação ser apagada pela descrença na política, os direitos retirados foram conquistados através lutas, e é somente através de luta que os recuperaremos e avançaremos!