O que há por trás da transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém?

06/dez/2017, 20h23

*Por Felipe Simoni, do Grupo de Trabalho Nacional do Juntos!

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a mudança da embaixada do país em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Mas porquê isso é tão importante?

Jerusalém, além de ser uma cidade sagrada para as três maiores religiões do mundo, – o cristianismo, o judaísmo e o islamismo – é também a cidade símbolo de um dos maiores conflitos de soberania no Oriente Médio: o conflito entre Israel e a Palestina .

Para os judeus, Jerusalém é a capital “eterna e indivisível” do Estado de Israel. Para o povo palestino, Jerusalém Oriental, onde palestinos são a maioria da população, é a capital do ainda não oficial Estado Independente da Palestina.

A política sionista de invasão dos territórios palestinos por parte de Israel, desde sua criação no século XX, fez com que Jerusalém Oriental, até então controlada pela Jordânia, fosse controlada pelo exército israelense, contrariando não só as resoluções de regime internacional e fronteiras delimitadas pelas Nações Unidas, mas principalmente a autodeterminação do povo palestino e, muitas vezes, sua liberdade religiosa.

Mantendo o status de regime internacional de Jerusalém, todos os países membros da ONU que reconhecem Israel como Estado independente têm como sede de suas embaixadas a cidade de Tel Aviv, admitindo essa como a capital do Estado judeu.

Mas o maior aliado dos israelenses, econômico e militar, principalmente em sua política de invasão de territórios e genocídio do povo palestino, sempre foi o imperialismo norte-americano. Em 1995 o Congresso Estadunidense aprovou uma resolução que mudava a embaixada do país em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, mas desde então nunca foi sancionada por nenhum dos presidentes.

Agora, Donald Trump, ao aprovar a mudança da embaixada ianque para Jerusalém, cumprindo sua promessa aos seus doadores de campanha pró-Israel, também anuncia que os EUA é o primeiro país do mundo a reconhecer a cidade como capital israelense, rompendo com a convenção internacional de status de Jerusalém.

A posição de Trump é um desrespeito à soberania e à autodeterminação do povo palestino na Jerusalém Oriental, e legitima as invasões israelenses nos territórios da Palestina. A cidade é parte fundamental para a solução do conflito entre judeus e árabes, e a política imperialista dos EUA, e a de dominação forçada israelense, mostram mais uma vez que não querem construir qualquer tipo de solução para o impasse na região.

A defesa da autodeterminação dos povos e a luta contra o imperialismo passam hoje, principalmente, pela defesa e o reconhecimento da Palestina independente, livre, democrática e soberana, e pelo fim desse conflito que já dura muitos anos.