Sara Winter não fala por nós! Precisamos do feminismo sim!

17/dez/2017, 21h10

Por Ana Karla

O avanço do movimento feminista é uma realidade que tem conquistado espaço em diferentes cenários no Brasil, e a primavera feminista foi um instrumento importante de reafirmação dessa luta. Os setores conservadores reconhecem esse avanço do feminismo quando apresentam o projeto da dita “nova” direita de disputar a pauta das mulheres impondo falsos discursos como o da “ideologia de gênero”, mobilizam perseguições a pesquisadores da área, nos acusando de bruxas e pedófilas. Uma figura que representa bem esse projeto é Sara Winter, que encarna a “ex-feminista arrependida”, e levanta pautas como: contra a “ideologia de gênero”, “pró-vida” e “pró-família”.

Este setor da direita tenta hoje disputar o questionamento à desigualdade de gênero e o sentimento de emancipação, que extrapolou o movimento feminista e chega hoje em milhões de mulheres brasileiras. Tentam porém, trazendo a tona velhos discursos sobre a vida das mulheres que foram rejeitados ao longo da história com o avanço de nossas lutas. Pregam a necessidade das mulheres serem protegidas, quando no Brasil somos mulheres autônomas que, por exemplo, chefiamos 40% dos lares (IPEA, 2017).

Ser mulher no modelo de sociedade patriarcal em que vivemos sempre foi um desafio. E foi graças a “proteção” masculina que durante séculos nos foi imposto o interior de nossas casas com o papel de reprodutora e serviçal, como única opção. Fomos preparadas a nossa vida inteira para sermos “belas, recatas e do lar”, e quando rompemos com essa lógica o sistema se assusta e busca mecanismos para frear nossas ações.

Sara Winter, mesmo sendo mulher, não representa o sentimento de indignação das mulheres com estas instituições políticas extremamente masculinizadas. Precisamos ocupar a política para defender a vida das mulheres, como tem feito Sâmia Bomfiim na Câmara de Vereadores de São Paulo. Feminismo não é uma perfumaria pra nós, mas é nossa ferramenta de resistência num país onde as mulheres ainda são violentadas cotidianamente somente por serem mulheres.