Você reconhece esses rostos?

Por Caroline Vilar e Natália Galvão

É provável que o da maioria não. O motivo disso é que, embora a maioria dos rostos seja desconhecido para nós, estão atrás das grandes telas de cinema – eles pertencem a diretores e produtores da indústria cinematográfica, que chega a movimentar até 38,6 bilhões de dólares/ano, como ocorreu em 2016. Recentemente, muitos casos de abuso e assédio sexual explodiram na mídia, como o caso de Brett Ratner e Harvey Weinstein, produtores de filmes como “Mulher Maravilha” “Kill Bill” e “Gangues de Nova Iorque”. Tais escândalos evidenciam o que já sabemos: há uma grande responsabilidade da indústria cinematográfica na perpetuação da cultura assédio sexual, da manutenção dos padrões estéticos e no reforço da feminilidade obrigatória. Porém, as denúncias não ganham espaço na mídia mundial atoa. Surgem no ano da Greve Internacional das Mulheres que, nos Estados Unidos, contou com grandes artistas e figuras políticas como Ângela Davis e Madonna. Já no Brasil, milhares de mulheres foram para as ruas contra Temer e a casta política.

No cenário de reformas de Temer e da aniquilação do direito dos trabalhadores e do futuro da juventude, nós mulheres sentimos as consequências dessas políticas de forma duplicada, uma vez que com a reforma trabalhista de Temer, a tendência é que nossa opressão siga silenciada: atualmente, 3 em cada 10 mulheres afirma já terem sofrido com assédio no trabalho e apenas 12% denuncia seu agressor. No seio da terceirização e da busca pelo lucro da burguesia, nossas vozes de denúncia encontrarão a resistência na retirada de nossos direitos e, consequentemente, na coerção, estratégia de dominação da burguesia. Entretanto, é preciso que olhemos com atenção para essa movimentação mundial contra o assédio sexual no trabalho. A explosão de denúncias e a luta cada vez mais intensa por equidade salarial demonstra que a Primavera Feminista é irreparável e irreversível, além de ser mundial. As mulheres brasileiras que ocuparam as ruas mandando Eduardo Cunha para a cadeia e recentemente deram amplitude para o combate da PEC 181, que criminaliza o aborto em casos de estupro e risco de vida para a mãe, demonstram que não aceitaremos que decidam sobre nossas vidas e nem que retirem nossos direitos conquistados com muita luta.

Recentemente a denúncia da figurinista da TV Globo, assediada por Zé Meyer, ganhou os noticiários e as redes, com apoio das demais mulheres da emissora – uma demonstração de que estamos gradualmente perdendo o medo. Porém, infelizmente essa não é a realidade da maioria das mulheres trabalhadoras no Brasil, especialmente das mulheres negras, empregadas domésticas, operárias e da rede terceirizada. Mas acreditamos que ocupando as ruas e a política seremos capazes de nos fortalecer e reconhecer a violência que somos expostas no mercado de trabalho e legitimada pelo 1% de poderosos que lucram com nossa opressão e dupla exploração. Por isso, convocamos todas as mulheres a não se calarem diante de assédios e a engrossarem cada vez mais o coro por equidade salarial.

Vamos Juntas, por nenhum direito à menos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *