As Mulheres Têm Direito Ao Futuro!

19/fev/2018, 10h16

Adriana Herz Domingues, Juntas RJ e Camila Barbosa, Juntas RN

Com a crise econômica gerada pelo capital financeiro, governos do mundo todo se posicionaram contra as necessidades da população, aplicando políticas de austeridade. No Brasil, não foi diferente. Michel Temer chegou ao poder através de um golpe palaciano para estancar a Lava Jato e acelerar os cortes de direitos. Iniciou esses cortes com a PEC 55, conhecida como PEC dos gastos ou PEC do Fim do Mundo. Depois de muitas batalhas e a maior greve geral da história do Brasil, o vampiro conseguiu aprovar uma terrível Reforma Trabalhista que retira direitos conquistados com muito suor pelos trabalhadores na época de Vargas. Agora, nosso presidente com 4% de aprovação estimados, pretende continuar o ataque aos brasileiros com a Reforma da Previdência.

Se já vemos no Brasil uma situação terrível no que diz respeito ao bem estar das mulheres, os cortes de direitos vem para piorar a situação. Enquanto atrizes famosas podem fazer grandes movimentações contra o assédio, para mulheres em trabalhos precários a situação é muito mais difícil. Denunciar um chefe pode significar demissão e perseguição. Ao mesmo tempo, sair de um relacionamento abusivo pode significar não ter onde morar, ou não ter como alimentar sua família. A situação de vulnerabilidade social ainda aumenta a insegurança urbana, com mães pretas perdendo seus filhos e mulheres sendo estupradas nas ruas. Essa situação afeta especialmente mulheres negras e periféricas. Por isso precisamos afirmar que só é possível combater o machismo com atenção às desigualdades sociais e raciais.

A Reforma da Previdência, que seria votada no dia 19, corrobora com este regime de supressão de direitos. Além de dificultar a aposentadoria para mulheres que enfrentaram a dupla ou tripla jornada durante toda sua vida, tem cláusulas específicas para ferir os direitos de nosso gênero. A pretensa igualdade no período de aposentadoria, não só ignora as desigualdades sociais e culturais entre homens e mulheres, como também desrespeita categorias que, historicamente, possuem jornadas de trabalho diferenciadas e, portanto, tempos de aposentadoria reduzidos (a exemplo das trabalhadoras rurais, professoras, celetistas, etc.).

Uma novidade na luta contra a Reforma da Previdência foi a intervenção militar no Rio de Janeiro, na última semana. Teoricamente, a intervenção impediria a aprovação da Reforma por coibir que qualquer emenda constitucional seja votada durante sua implementação. No entanto, Temer pretende suspender a medida por tempo suficiente apenas para essa votação, congelando qualquer debate no Congresso.

O vampiro vem articulando todas as manobras possíveis para prejudicar a vida das mulheres brasileiras! É necessário nos organizarmos para a luta! Por isso, no dia 19, vamos todas às ruas contra a Reforma da Previdência, e a Intervenção Militar no Rio de Janeiro, rumo a construção de uma greve geral!