Fica PIBID

09/fev/2018, 20h44

Desde 2015, o PIBID (Programa Institucional de Bolsa e Iniciação à Docência) vem sofrendo vários cortes e ameaças de fim pelo governo federa. Os ataques constantes geraram muitas mobilizações entre estudantes e professores que conseguiram conquistas parciais e a manutenção do programa nas universidades. Porém, nos últimos dias, estudantes bolsistas do Brasil inteiro têm recebido uma série de e-mails da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) informando sobre o fim do programa e que os últimos pagamentos de bolsas serão realizados até 10 de março.

Como continuidade do corte de direitos impulsionado pelo Ajuste de Temer e um grão do pacote chamado “Ponte para o Futuro”, o fim de um Programa que além de ter como objetivo a formação de professores, paga uma bolsa de $400,00 reais por estudante (muito insuficiente, porém necessária) põe em risco a estadia de estudantes nas universidades públicas do país, fazendo jus ao que pensam os do andar de cima, como colocado na última semana pelo reitor da USP sobre as cotas e as políticas de permanência estudantil das universidades, se colocando contra esse caráter e defendendo uma universidade elitizada e branca.

O Programa que mesmo não sendo o ideal é uma política necessária para as Licenciaturas financia uma das poucas bolsas que restam. O corte de bolsas se acelerou após o governo Temer a aprovação da PEC55 do congelamento de gastos, mas já vinha sendo uma medida tomada no governo Dilma, como parte do sucateamento do ensino superior e básico.

Vale salientar que, desde o fim de 2017, o governo federal vem anunciando, como ponto central da Nova Política de Formação de Professores, que o PIBID será “modernizado”, ou melhor, transformado em outro programa denominado de Residência Pedagógica, com promessas de “universalização” do projeto. Entretanto, é evidente que em nenhum momento o Ministério da Educação voltou-se às bases, isto é, aos sujeitos envolvidos diretamente no processo de formação (pibidianos, secundaristas e comunidade escolar em geral), no sentindo de ampliar democraticamente o debate sobre essa proposta de mudança. O deflagrado descompromisso fica explicito quando a secretária executiva do MEC vem a publico dizer descaradamente que “há uma queixa de que o PIBID está muito distante da realidade da escola pública”.

Outro ponto não compreensível é a viabilidade da Residência Pedagógica, vide o limite estabelecido dos gastos públicos decorrente da aprovação da PEC 55, principalmente quando se promete “ampliação”. Além do que, sem dúvidas, a substituição (cercada de insegurança) do PIBID pela Residência Pedagógica pode ser tida como uma medida política, uma vez que por não se limitar aos moldes e conteúdos tradicionais do fazer aula, o PIBID dar voz a segmentos marginalizados da nossa sociedade e pode, assim, alimentar narrativas que fazem frente ao modus operandi capitalista.

É preciso lutar e resistir para manutenção do PIBID e exigir do Estado que ao invés de precarização e cortes, queremos avançar nas políticas de bolsas e investimentos em nossa formação, para que não tenhamos que largar nossos cursos para trabalhar e sobreviver. Defender o PIBID deve ser uma luta de todas e todos nesse momento e em defesa da Universidade Pública e Gratuita!

#FicaPIBID

Por Iago Gomes e Rodrigo Manfredine