Quem manda nos preços da passagem?

Por Juntos! RJ

O Rio de Janeiro amanheceu nessa segunda-feira, dia 5 de fevereiro, com mais uma desagradável notícia: mais uma vez o preço da passagem de ônibus carioca aumentou, agora para 3.60, cumprindo com a decisão judicial movida pelas quatro grandes consórcios da cidade. Essas empresas, por meio, principalmente, da RioÔnibus – o “sindicato” de Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro – têm travado uma batalha jurídica e política desde as diminuições da tarifa, impostas judicialmente no final do ano passado, alegando que o preço deveria, nesse momento estar em torno de 4 reais. Diante a todo esse conflito, nada mais justo que perguntar: quem, de fato, manda nos preços da passagem?

A máfia das empresas de ônibus é muito bem conhecida no Rio de Janeiro. Das manifestações de 2013 lutando diretamente contra os aumentos gananciosos da Fetranspor, passando por mobilizações simbólicas como o ato no casamento da filha de Jacob Barata – conhecido como “Rei do Ônibus – o Rio é um constante palco de lutas contra aumentos abusivos e baseados nos esquemas dos poderosos. Essa indignação não vem ao acaso: recentemente a Operação Ponto Final, braço da Lava-Jato, desmascarou uma estrutura considerada “um dos mais antigos esquemas de corrupção no Estado do Rio” pelo procurador responsável.

Com o objetivo de comprar políticos para obter acordos favoráveis às empresas de ônibus, essa armação exemplificou como funciona na maior parte do país a relação absurda das empresas de transportes com o governo – uma eterna troca de favores contrária ao povo. Jacob Barata chegou a ser preso mais de uma vez, porém, em todas elas, foi solto pelo ministro do STF Gilmar Mendes, conhecido por sua forte relação com empresários e políticos corruptos.

Toda essa situação já é um passo para responder nossa perguntar: não é de agora que os poderosos se beneficiam à custa da maioria por meio de aumentos desnecessários e abusivas. Também não é ao acaso o esforço que a RioÔnibus tem feito após a reduções do ano passado para justificar a necessidade que o preço chegue aos 4 reais, com o argumento de que sem isso será impossível manter a frota de ônibus funcionando – ameaçando inclusive greve patronal. Essas empresas mostram melhor que ninguém, ao se dispor ir às últimas consequências para manter seus privilégios, quais os enormes perigos do transporte público ser gerido de forma privada.

É preciso acabar com a farra dos preços das passagens – os estudos que já comprovaram que a passagem não deveria passar de 3.25, mostram o quão surreal é a ganância e os apelos dos empresários de ônibus. Em um momento onde os direitos trabalhistas são cortados, a previdência é ameaçada e a população sofre com a crise, o aumento da tarifa não pode ser tolerado. Os corruptos e corruptores do sistema público de transporte têm de ser responsabilizados e toda sua estrutura de funcionamento tem que ser reformulada – não podemos mais depender de empresas privadas para um serviço público.

Por fim, terminamos com uma certeza: somente a mobilização popular pode reverter esse jogo e tirar da mão dos poderosos o nosso sistema de transporte. Por isso o Juntos estará presente em todas mobilizações contra o aumento das tarifas e fará um adesivaço pelos pontos de ônibus do Rio de Janeiro para denunciar o absurdo que é esse preço e esse sistema corrupto que temos o dever de lutar para derrubar.

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