Rafaela Silva, ouro olímpico de judô, sofre abordagem policial racista

23/fev/2018, 22h38

Ontem, quinta-feira (22/02), a campeã olímpica de judô, Rafaela Silva, usou as redes sociais para denunciar mais um abuso policial sofrido, afirmando que estava viajando de táxi na Avenida Brasil onde ia em direção a sua casa, quando o carro foi cercado pela viatura com a sirene ligada, os policiais armados a mandaram descer batendo com a arma no vidro do carro para que fosse revistada em meio ao trânsito intenso e, após ela descer, perguntaram em que ela trabalhava e quando ela afirmou que era atleta e aterem reconhecido perguntaram onde morava de forma constrangedora. Antes de liberá-la, os policiais indagaram ao taxista que “acharam que ele a havia pegado na favela”.

Rafaela, ouro olímpico nas Olimpíadas do Brasil, relatou que não é a primeira vez que passa por essa situação, mas que já foi vítimas muitas vezes, inclusive sofrendo ataques racistas em forma de insultos nas redes sociais. “Só porque é preto não pode andar de táxi?”. A violência policial em abordagens é algo que o povo negro e pobre sente na pele todos os dias, sobretudo no Rio de Janeiro, cidade que tem vivido uma onda intensa de insegurança.

Nascida e criada na Cidade de Deus, a atleta enfrentou a vida inteira o racismo e viu de perto várias vezes o quanto ele mata, e sendo mulher e negra isso se torna ainda mais violento, afinal os índices de encarceramento e assassinatos de mulheres negras tem crescido nos últimos anos.

Após a situação e em entrevista a veículos de mídia, Rafaela disse que acredita que se ela não fosse reconhecida ou se não se tratasse de uma pessoa pública a abordagem teria sido pior. Pessoas negras estão sujeitas a maior violência todos os dias. O racismo, que mata 71 negros a cada 100 homicídios no Brasil e que faz de um jovem negro ter em média 25% de chances a mais de ser assassinado não perdoa sequer atletas ouro olímpico. Toda solidariedade a Rafaela e a toda população negra que sofre diariamente com os abusos policiais e a violência desenfreada legitimada pelo Estado.

Confira o Relato de Rafaela no Twitter: