Frida Kahlo: Barbie ou feminista revolucionária?

14/mar/2018, 12h55

Vanessa de Quadros

Uma nova geração de feministas se constituiu nos último anos, principalmente com a influência da internet, e existe um referencial construído na figura da artista mexicana Frida Kahlo. Com efeito, Frida tornou-se um ícone por ocupar espaços hegemonicamente masculinos. Além de ser um artista reconhecida mundialmente, ela incomodou também se posicionando como comunista latino-americana.

De fato não faltam caracterizações para homenageá-la. O que tem gerado debate ultimamente é que uma boneca da Frida será comercializada pela Barbie simbolicamente no mês de março.

A mercantilização de sua imagem é um processo muito mais profundo do que uma simples intencionalidade progressista para construir uma forma mais “consciente” de educar meninas. As bonecas Barbie sempre reforçaram o padrão de beleza eurocentrado mais explícito mas, em um contexto de crescimento do questionamento a esse padrão, a tática para manter o lucro é adaptando-se no limite a esse contexto. Assim como a massificação da imagem do Che Guevara edifica uma distância do sujeito político revolucionário, a boneca Frida romantiza uma história concreta de luta e resistência.

Além do mais, embora Frida tenha sido uma mulher que pensou muito a frente do seu tempo, isso não impediria que ela vivesse as contradições de um mundo ainda muito patriarcal. O seu relacionamento abusivo com Diego Rivera é uma parte importante de sua história, mas que não desqualifica Frida como uma feminista. Afinal, enquanto existe patriarcado, existe luta das mulheres e nossas limitações diante a ideologia machista dominante persiste independente da militância diária para combatê-las.

Atuar em defesa da memória de mulheres que fizeram história é essencial para manter a chama feminista por um mundo em que sejamos essencialmente livres. O mês de março é importante principalmente pela luta das mulheres como classe que foi a raiz da primeira onda do feminismo. Se esse fator é ocultado pela apropriação capitalista da nossa causa, perdemos o início de tudo e a consciência de como tudo começou. Vamos juntas por aquelas que vieram antes de nós, em defesa dos nossos direitos com um feminismo das 99%!