Liberdade para Benki Piyãko!

22/mar/2018, 22h11

Por Tauan Satyro 

Precisamos proteger aqueles que lutam contra a barbárie do grande capital! 

Na mesma semana em que a vereadora do PSOL, Marielle Franco, foi executada junto com o motorista, Anderson Pedro, Benki Piyãko, liderança indígena do povo Ashaninka (AC), foi indiciado por crime de calúnia, após ter procurado o Estado, para pedir proteção policial, alegando estar sendo ameaçado, por conta de sua atuação como ativista ambiental e dos direitos dos povos indígenas. 

Os acusados por Benki, compareceram a sede do município, onde após serem ouvidos, foi decidido que o caso seria arquivado e que Benki, seria denunciado por crime de calúnia, sem que ao menos fosse feita uma investigação profunda do caso pelo Ministério Público. Agora, Benki será julgado e se condenado poderá pegar até 8 anos de prisão, e a sua vida seguirá em risco, pois aqueles que o ameaçaram por lutar pelo seu território, e pelo seu povo, seguem livres para praticar seus atos contra a vida daqueles que lutam por um mundo melhor. 

O Brasil, é considerado pela Anistia Internacional o país mais perigoso do mundo para ativistas dos direitos humanos e de causas ambientais, estando há anos no topo dos países com maior número de mortes de ativistas. 

Infelizmente, não podemos evitar as mortes de Marielle e Anderson, suas vidas foram tiradas, lhes enterraram, sem saber que eram sementes, e as sementes brotaram, e agora, juntos podemos e devemos lutar para que Benki não tenha o mesmo destino. Benki ainda está vivo, e podemos fazer por ele, o que não conseguimos fazer por Marielle e Anderson. 

Benki e Marielle têm muito em comum, ambos ousaram não se calar, sair do lugar que lhes foi imposto socialmente, ousaram lutar pelo seu povo e não abaixar a cabeça para os seus opressores. Ambos foram colocados na cruz para servir de exemplo para todos nós, Marielle foi assassinada como uma forma de dizer ao povo pobre, preto e favelado, que é melhor eles não saírem de onde foram colocados. Benki, responderá judicialmente por não ter aceitado as ameaças que sofreu calado, e ter feito o que dizem que precisamos fazer quando nos sentimos em risco, Benki procurou os agentes da lei. Mas diferente de Marielle, Benki ainda está vivo, e nós temos o dever de exigir que assim continue, vivo e livre, e que a justiça cumpra com o seu papel e investigue profundamente as denúncias feitas por Benki e por tantos ativistas em todo o Brasil e parem de culpar as vítimas, protegendo os seus agressores. 

Liberdade Para Benki! 
Marielle e Anderson Vivem!