Contra o assédio na Unicamp: Por outra segurança no campus!

Isabel Fuchs Laurito e Eliaris Alvares, do Juntas! Campinas

Presenciamos, nas últimas semanas, a escalada dos relatos de assédio contra mulheres dentro e nos arredores do campus de Barão Geraldo, na Unicamp. Uma tentativa de estupro aconteceu no estacionamento da FCM, além de cotidianamente vermos denúncias de assédio e tentativa de estupro nos grupos do Facebook da universidade. Essa situação que vivemos não está isolada: existe um cenário de violência contra a mulher nas universidades pelo Brasil que é extremamente preocupante. Somente este ano já foram noticiados dois casos de feminicídio no ambiente universitário: Maria Júlia foi morta a facadas pelo ex-namorado, na UNESP de Ilha Solteira e Nathalia, estudante de Agronomia da UEPG, também foi assassinada a facadas pelo ex-namorado.

O cenário da brutalidade do machismo, que violenta cotidianamente centenas de mulheres, precisa ser combatido. Há um levante internacional contra o feminicídio. Na América Latina, ecoou a campanha “Ni Una Menos”, um mote das mulheres que lutam pelo seu direito à vida. As mulheres estão se organizando para dar um basta à barbaridade da violência e desses assassinatos, que são uma representação vil e cruel do que é a ideologia machista. Na Unicamp temos que que olhar para esses relatos com revolta e, de maneira conjunta, dar a batalha contra o assédio e a violência machista. A luta da USP, onde conquistamos um centro de referência para vítimas de assédio na universidade após levantes de mulheres contra o machismo, deve nos inspirar.

E, para dar conta disso, é inevitável que discutamos a segurança no campus e a responsabilidade da Reitoria.

O “Campus Tranquilo”, programa que hoje organiza a segurança universitária, surgiu ao final de 2013 após uma forte greve e ocupação do prédio da Reitoria contra a entrada da Polícia Militar no campus. Desta greve, havíamos conquistado a realização seminários em que seria discutida a pauta da segurança para a reformulação do estatuto da universidade. Infelizmente, a construção do projeto “Campus Tranquilo” não respeitou as reivindicações dos estudantes e foi realizada de forma antidemocrática, demonstrando a indisposição da reitoria em construir um projeto de segurança que atenda às demandas da comunidade acadêmica e das pessoas que circulam na universidade. Atualmente, a segurança é terceirizada e orientada para a proteção do patrimônio, além de ser completamente despreparada para lidar com casos de machismo, racismo e lgbtfobia. Precisamos de uma guarda com funcionários efetivados e fixos, que tenham treinamento de direitos humanos e se orientem pela segurança comunitária e o combate às opressões.

Precisamos organizar uma grande campanha no movimento estudantil, com os Centros Acadêmicos, coletivos e frentes contra o assédio, exigindo da Reitoria que se abra um diálogo amplo e democrático com todos os setores da Universidade para tomar medidas definitivas contra os casos de assédio e estupro. Queremos também que esse debate esteja no centro das discussões propostas pela Secretaria de Vivência da reitoria, que não se manifestou até agora sobre os casos.

O primeiro passo para essa construção foi dado ontem, com a reunião convocada pelo CAAL e pelo coletivo feminista da FCM (MUDA). Agora, precisamos todos tornar a luta contra o assédio como uma das nossas preocupações centrais, convocando atos, reuniões nos cursos e uma Assembleia Geral sobre o tema.

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