Mobilizar a UnB pra derrotar os cortes do MEC e a reitoria

Por Victor Gorman, estudante de Serviço Social da UnB

Este ano a Universidade de Brasília começou, assim como em 2017, com um déficit orçamentário extremamente grave por conta dos cortes do MEC, a soma chega a R$ 92,3 milhões. As ameaças de fechamento da UnB por falta de orçamento voltam às capas de jornal, e resposta da administração superior da UnB tem sido duros ataques aos elos mais frágeis das universidades brasileiras: os estudantes e as trabalhadoras terceirizadas.
Começamos o ano de 2018 com o anúncio de uma proposta de aumento em mais de 150% no valor pago pelos estudantes no Restaurante Universitário, que passaria de R$ 2,50 para R$ 6,50; além do aumento abusivo para R$ 13,00 para as trabalhadoras terceirizadas e servidores da UnB. Devido à pressão feita pelo movimento estudantil e pelas trabalhadoras da universidade a proposta inicial do RU foi retirada e durante semanas a reitoria vêm criando propostas diferentes que, como eles mesmos assumem, não tem comprovação de que irá solucionar o problema orçamentário.
A agenda de ajuste por parte da reitoria continuou, recentemente foram anunciadas as demissões de 55% das trabalhadoras terceirizadas da limpeza da universidade, ou seja, seriam 270 trabalhadoras demitidas de uma única vez, além do corte de 100% dos contratos de estagiários da UnB, continuando uma longa sucessão de redução de direitos e demissões anteriores no ano passado, como as demissões de dezenas de trabalhadores da segurança.
A reitora da UnB, Márcia Abrahão, e seus decanos tem afirmado em diversos jornais que existe o risco do fechamento das portas da universidade nos próximos meses, caso não seja aprovada sua agenda de ajustes. Enquanto o corte de verbas é nacional, fazendo parte da política de precarização das universidades públicas de Temer e Mendonça Filho, a administração superior da UnB tem aplicado, sem resistência, este mesmo projeto no interior da universidade por meio das demissões e outras propostas que vem sido apresentadas, afinal, todas elas têm como resultado a precarização do ensino. Este cenário traz para o movimento estudantil e dos/as trabalhadores da universidade a tarefa de uma luta em duas frentes: Contra o Ministério da Educação e o sua política de estrangulamento do orçamento das instituições de ensino superior públicas, e a luta contra as medidas de ajuste e cortes dentro da própria Universidade de Brasília para que não seja passada a conta da crise para as estudantes e trabalhadoras.
Nesse sentido, a resposta das terceirizadas da UnB nas últimas semanas tem sido a mobilização, protagonizando um significativo ato na reitoria, e pelo lado dos estudantes tem sido a realização de dezenas de assembléias de cursos para discutir a situação orçamentária e decretar uma paralisação neste dia 10 e um ato em frente ao MEC. O desafio é a massificação da luta e concretização de uma jornada de lutas nas próximas semanas.

A universidade brasileira volta, neste cenário de francos ataque à educação, a necessitar uma centralidade nas lutas. A batalha pelo orçamento das instituições de ensino superior é um grande desafio, que ameaça o seu funcionamento e autonomia, e que exige que as universidades entrem, de fato, para o centro das mobilizações contra Temer, Mendonça Filho e as implementações deste projeto de precarização dentro das universidades, através de cortes e demissões.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *