Nota do Juntos! sobre a decisão do STF e a prisão de Lula

06/abr/2018, 16h19

O Juntos repudia a decisão tomada pelo STF que abriu caminho para a prisão de Lula no último dia 4. Na decisão fica evidente a seletividade da justiça que acelera o processo para prender e tirar Lula da eleição enquanto notáveis corruptos como Michel Temer e Aécio Neves têm suas denúncias abafadas pelos mesmos tribunais. Somos contra a prisão de Lula. Assim como somos contrários ao seu impedimento como candidato, nos somamos às denúncias contra as medidas que visam restringir a democracia na próxima disputa eleitoral.

A situação atual é resultado do processo de redemocratização que não enfrentou pontos centrais e conservou parte do entulho autoritário da ditadura civil-militar. Por esse e outros motivos, a dita “Nova República” vive uma crise de grandes proporções.

Assim como o Congresso corrupto e o governo ilegítimo de Temer, o STF está atualmente bastante desacreditado pela população brasileira. A maioria desta Corte decidiu permitir a prisão após julgamento em 2ª instância, abrindo caminho para a prisão de Lula. Contraditoriamente, quase todos os ministros do STF que tomaram essa decisão foram indicados pelos governos do próprio PT, responsável direto pelo maior crescimento da população carcerária na história do país.

Reinventar a nossa democracia é urgente, pois a seletividade do sistema não é novidade, funciona para criminalizar a população negra e pobre do país. Isso reforça a necessidade de botar a baixo as instituições capturadas pela burguesia construindo um projeto anti-regime, uma sociedade comandada pelo povo.

Lutar por justiça à Marielle é a tradução imediata desta tarefa. Descobrir quem e porque mandou matar Marielle desvenda a relação promíscua entre Estado e o crime organizado.

Exigir justiça é defender a construção de uma democracia na qual uma mulher negra favelada chega ao poder e não seja exceção, mas regra.

Portanto, dedicaremos nossos esforços em construir atos por justiça para Marielle e Anderson, marcando um mês de sua execução. Nosso compromisso está em seguir a luta de Marielle, lutando por uma democracia real, dos 99% contra o 1%.