Quem está morrendo no estado do Pará?

11/abr/2018, 09h48

Belém e a região metropolitana começaram a semana com 12 pessoas executadas logo após o assassinato de dois PMs e uma tentativa de invasão e fuga no presidio de Americano no município de santa Isabel, deixando 21 pessoas mortas – um retrato infeliz da realidade do povo paraense. Esses acontecimentos infelizmente são parte da realidade de insegurança que tem vitimado muitas pessoas. Só esse ano já somamos 19 policiais militares assassinados e 1.036 pessoas assassinadas. Isso é um completo absurdo. A cada momento repercute uma nova notícia de chacina ou execução no Pará. Precisamos perguntar: afinal quem está morrendo?

O assassinato de Marielle no Rio de Janeiro trouxe à tona um grande debate no nosso país. A vereadora do Rio sempre denunciou quem são as principais vítimas dessa guerra. Infelizmente quem morre é a parcela mais pobre da população que mora nas periferias e é preta. Do lado de lá, são policiais de baixa patete que estão nas ruas com péssimas condições de trabalho, estrutura precarizada, baixos salários e também são negros. O estado está ausente para os bairros periféricos, não garante educação e saúde de qualidade, além disso nega o acesso a saneamento básico e segurança humanizados. São esses moradores de periferia que morrem além de terem uma condição de vida precarizada estão a mercê do crime organizado que tem crescido em nossas cidades. Não podemos negar que a situação é caótica!

Infelizmente, aliado a essa realidade, o Pará é o estado com o pior índice de educação do país, com péssimos salários de professores, falta de merenda e escolas altamente precarizadas e depredadas. Também carrega o título de estado com o maior número de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos fora da escola. O investimento em políticas públicas de lazer e emprego, por exemplo, são muito insuficientes. O Governo Jatene (PSDB) está totalmente omisso e incompetente quando ignora o número assustador de assassinatos, para o governador os índices que apontam Belém, Altamira, Marabá e Ananindeua entre as cidades mais violentas do mundo não são relevantes. Enquanto isso vemos o secretário de segurança dizer que não se sente inseguro em andar pelas ruas de Belém. NÃO PODEMOS MAIS ACEITAR ISSO!

Nossa saída não é intervenção federal/militar como tem apontado alguns deputados e ministros paraenses, pois o nosso problema é complexo e de longo prazo. Não podemos cair na ilusão de que teremos respostas imediatas para um dilema profundo. O problema da violência não está só nas ruas das periferias, mas também permeia os que estão com o poder nas mãos. É preciso uma severa investigação nas relações das instituições do Estado com o crime organizado pois não é qualquer coisa termos um deputado estadual e policial militar levado para júri popular no banco dos réus por participação em uma chacina no bairro de periferia de Belém.

Quantos mais tem que morrer pra essa guerra acabar?

Sábado completa um mês do assassinato de Marielle, e assim como ela sempre fez nós também precisamos denunciar o que o povo das periferias sofrem todos os dias, assim como precisamos defender que sociedade nós queremos. Precisamos repensar nosso modelo de segurança pública que vê a população mais pobre sempre como suspeita, como pessoas inferiores, com menos direitos e principalmente como inimigos que precisam ser eliminados. Precisamos de mais investimentos em educação pública ao invés de fechar escolas, assim como investimentos em formação profissional e incentivo ao emprego principalmente para a Juventude. Precisamos de um governo realmente comprometido com as necessidades do Povo.