26 de maio – A Maré Popular na França

Por: Thais Bueno e Tatiana Marandola

O cenário político francês tem sido agitado desde as eleições em 2017, quando a disputa do segundo turno das eleições presidenciais se deu entre dois candidatos: o atual presidente neoliberal, Emmanuel Macron de La République En Marche! (A República em Marcha!) e Marine Le Pen, de extrema direita, do Front National (Frente Nacional).

Dentro disso, a data de 26 de maio foi importante no calendário de lutas dos movimentos sociais na França. Do sul ao norte do país diversos atos unificaram mais de 60 organizações políticas contra as políticas do governo neoliberal de Emmanuel Macron que incluem a privatização dos serviços de trem e metrô franceses e a restrição da entrada e permanência de imigrantes no país e do acesso às universidades por meio da implementação de um vestibular.

O ATO – 26.05

A manifestação de hoje contou com centenas de milhares de pessoas por toda a França; só em Paris, os manifestantes chegaram a 250 mil e marcharam em ato rumo à Praça da Bastilha. Bebês, jovens, idosos, franceses, imigrantes, trabalhadores, estudantes, todos expressavam um sentimento em comum: se as coisas continuarem no caminho que estão, nada vai dar certo para os “de baixo” na França; nas palavras de ordem: Ça va péter: tudo vai explodir.

Havia o bloco dos ferroviários pedindo doações para repor o salário descontado dos funcionários grevistas; bloco dos imigrantes, os quais exercem os trabalhos mais precarizados na França, com muito peso na construção civil; diversas pessoas camisetadas com frases pedindo justiça para Adama Traoré, um jovem negro assassinado pela polícia francesa em 2016, etc. O clima era de indignação. No entanto, este ato não teve tanta força e radicalidade quanto as manifestações anteriores, como no Dia do Trabalho, no 1o de maio.

VESTIBULAR NA FRANÇA

Devido à aprovação da Lei ORE, o meio de entrada nas universidades francesas mudou, agora, o governo implementou uma nova plataforma de seleção, mais restritiva, chamada Pacoursup, que instaura uma seleção visivelmente discriminatória e classista para o ensino superior. Em sua primeira utilização, a nova legislação já se mostrou um desastre: 400 mil estudantes (em torno de 50%) foram recusados ou estão em espera.

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