Como o feminismo neoliberal colonizou o mundo – e o que você pode fazer sobre isso

26/maio/2018, 10h15

Texto original de Catherine Rottenberg no The Conversation, traduzido por Bárbara Chiavegatti, do Juntas RJ

De repente, todos querem se dizer feministas. De Sheryl Sandberg, CEO do facebook , a Ivanka Trump, um número sem precedentes de mulheres da alta sociedade corporativas estão publicamente se declarando enquanto feministas. Parece que o mercado está colonizando temas feministas.

De fato, identificar-se com feminista não só se tornou uma fonte de orgulho, mas também serve como capital cultural para estrelas de Hollywood e para celebridades do mundo da música. Serve tão bem que esta nova palavra literalmente inundou a media convencional e as redes sociais. Megan Markle, a nova princesa feminista do Reino Unido, é só o mais recente exemplo de uma lista bem longa. Não é surpresa de que o feminismo foi a Merriam-Webster’s palavra do ano em 2017.

O movimento por igualdade de gênero, então, está cada vez mais misturado com o neoliberalismo, o que mobilizou o feminismo a abocanhar objetivos políticos e intensificar o seu valor de mercado. Ainda sim, ao mesmo tempo, uma forma diferente de feminismo surpreendentemente também ganhou popularidade. Com a eleição de Trump e o re-aparecimento do sexismo sem culpa na esfera pública, uma nova onda de militância feminista surgiu no território político, uma que se atreve a ir além da simples identificação para facilitar a mudança social.

O ressurgimento de protesto feministas de larga escala e mobilizações, assim com a Women’s March e o movimento #MeToo , serve como um elemento importante para contrariar a ascensão de um feminismo sem garras, e não oposicional.

Feminismo neoliberal

Então, como será que poderíamos compreender o renascimento do feminismo contemporâneo com essas diferentes e conflitantes manifestações? Na metade da última decada, nós temos presenciado o ascenso de uma peculiar variante do feminismo, particularmente nos Estados Unidos e no Reino Unido, uma variante que tem sido descolada das ideias sociais como igualdade, direitos e justiça. Eu chamo isso de feminismo neoliberal, já que ele reconhece a desigualdade entre os gêneros (se diferenciando do pós-feminismo, que se foca no empoderamento e escolha indivuais, e ainda sim repudia o feminismo) enquanto simultaneamente nega que as estruturas socioeconômicas e culturais também moldam nossas vidas.

Esse é precisamente o tipo de feminismo que alimenta manifestos best-sellers, assim como o de Sheryl Sandberg, “Lean In”, no qual as mulheres são completamente construídas como atomisadas, auto-otimizadas e empreendedoras.

Sim, o feminismo neoliberal pode até reconhecer o abismo da diferença salarial e o assedio sexual como sinais de desigualdade continuada. No entanto, as soluções que ele deposita fazem desaparecer a sunstentação estrutural e econômica deste fenômeno. Incessantemente incidindo para que as mulheres assumam a total responsabilidae pelo seu próprio bem estar e autocuidado, o feminismo neoliberal ultimamente direciona as classes média e alta, apagando efetivamente a grande maioria de mulheres da cena. E, sendo alimentado por um cálculo de marcado, não é interessado em justiça social ou moibilização de massas.

Com o ascenso do feminsmo neoliberal, o que encoraja mulheres individuais a focar em si mesmas e suas próprias inspirações, o feminismo pode mais facilmente ser popularizado, circulado, e vendido no mercado. Isso porque ele se encaixa, quase que totalmente, com o capitalismo neoliberal. Esse feminismo é também descaradamente excludente, abrangendo apenas as chamadas mulheres aspiracionais em seus direcionamentos. Ao fazer isso, ele reifica um privilégio branco, de classe, e heteronormativo, levando a si mesmo não apenas a agendas neoliberais mas também neo-conservadoras.

Não tem nada sobre esse feminismo que ameaça o status-quo.

O feminismo ameaçador

Ainda sim, um dos seus efeitos não pretendidos pode constituir uma ameaça. Precisamente porque o feminismo neoliberal tem auxiliado a espalhar a visibilidade e o abraçar do feminismo, ele tem pavimentado o caminho por movimento feminista militante. Esse movimento encoraja a mobilização de massas em nome de desfiar não apenas as políticas sexistas de trump, mas também uma crescente dominância da agenda neoliberal que coloca o lucro acima das pessoas.

Uma parte da infraestrutura de base do recente feminismo oposicional já estava claramente posicionada. Não vamos esquecer que o #MeToo inicialmente emergiu um movimento enraizado lançado pela ativista afroamericana Tarana Burke a mais de uma década e isso vem na sola das mobilizações, assim como a marcha das vadias, o movimento internacional que organizou protestos ao redor do mundo contra a cultura do estupro e a sua política de culpar a vítima.

Ainda sim, o #MeToo foi capaz de ganhar tanta tração com envergadura nesse especifico momento da historia – com a eleição de trump e políticas que servem como os principais gatilhos- porque o feminismo já sendo colocado enquanto popular e desejável por Sandeberg, Beyonce e Emma wtson, apenas para noemar algumas.

A questão latente agora é como nós podemos sustentar e externalizar o renacimento feminista de massas como resistência, ao mesmo tempo em que rejeitamos a lógica do feminismo liberal. Como podemos manter o feminsmo como uma ameeaça as diversas forças que continuam a oprimir, excluir e deslocar segmentos inteiros da sociedade?

O #MeToo carrega um importante trabalho cultura. No seu auge ele expos como os privilégios dos homens satura a nossa cultura. Entretanto, ultimamente, isso não será suficiente. Expor não é suficiente para garantir uma mudança sistêmica.

No entanto, existem outros movimentos feministas que emergiram nos últimos anos. Feminismo pelos 99%, que ajudou a organizar a fgreve internacional de mulhres, é apenas um exemplo. Esse movimentos expandiram significativamente o único quadro do gênero, articulando e protestando o tremendo hall de desigualdades para com as mulheres, minorias e populações precárias em geral.

Esses movimentos feministas estão demandando dramáticas transformações sociais, economicas e culturais, criando assim visões alternativas assim como a esperança para o futuro. E tendo em vista o quão ruim o futuro atualmente aparenta para um sempre crescente número de pessoas ao redor do mundo, isso é precisamente o tipo de feminsmo ameaçador que precisamos.