Editorial | Construir poder juvenil para tomar o poder!

Por Fabiana Amorim, Erick Andrade e Julio Pontes. Do Grupo de Trabalho Nacional do Juntos!

Os ventos de maio começam a soprar, no ano em que completamos 50 anos de talvez um dos principais eventos de ruptura protagonizados pela juventude e pelos trabalhadores do mundo inteiro. O maio de 1968, iniciado e eclodido na França – mas espalhado por todos os continentes – ainda reflete em nossos tempos.

Assim como em 1968, estamos passando por uma crise, onde o futuro está nebuloso enquanto o presente é caótico. É fundamental que a juventude que sonha e luta por outro futuro conheça a geração que ousou ir além das fronteiras sociais, políticas e morais determinadas.

Após a 2° Guerra Mundial, o mundo divide-se em dois: EUA e URSS. O sistema é contestado a partir da realidade da juventude francesa, que mesmo dentro da Universidade, se via sem emprego e excluida do padrão de consumo propagado. E o que iniciou com a ocupação da Sobborne, explodiu para a classe trabalhadora francesa, que protagonizou greves e piquetes histórico mas também para o resto do planeta.

Essa foi a juventude que começou a rebelar-se por liberdade, igualdade de direitos, contracultura e mudanças no regime político. O contexto histórico de 1968 era propício para revoluções, o mundo estava em ebulição!

Em 68 a Guerra do Vietnã vivia seus piores momentos, gigantescos protestos pediam a saída dos EUA da guerra. Ainda em 68, em abril, o líder negro Martin Luther King foi assassinado, como mártir da ampla luta pelos direitos civis nos EUA, onde o partido dos Panteras Negras também se destaca como exemplo de auto-organização e resistência ao racismo que nega aos jovens negros o direito de existir.

No Brasil o movimento estudantil ganhava protagonismo na luta contra a ditadura militar. Em março, após o assassinato do estudante secundarista Edson Luís, a solidariedade da população ganha força e denuncia um regime criminoso que torturou e matou milhares.

A cada ação, o capitalismo mostra que, de fato, esse sistema não foi feito pra nós. A conta da crise segue sendo paga pelo povo, enquanto os de cima seguem se rearranjando pra garantir seu poder. Ainda que eles sigam atacando, nós avançamos na resistência. 50 anos após, a França segue sendo palco da revolta juvenil e popular. Contra a política de Macron, estudantes e trabalhadores têm tomado as ruas e universidades têm sido ocupadas. As greves dos dias 22/3 e 19/4 demonstraram a força da unidade entre juventude e trabalhadores que contagiou o mundo em 1968 e contagia novamente agora.

E essa unidade é uma resposta possível diante da crise que vivemos. O exemplo tem se espalhado. Nos EUA, professores, com apoio dos secundaristas, tem protagonizado importantes greves em defesa da educação publica. E esse sentimento se espalha. Da França aos Estados Unidos, do Brasil à Africa do Sul, temos colocado em cheque o regime podre do 1%.

Contra o poder apodrecido, alojado nos dois lados da guerra, os franceses ousaram construir poder juvenil. Disseram um sonoro não aos que insistiam aprisiona-los no possível. Escreveram, com isso, uma página na história, inspirando milhares de lutadores pelo mundo. Reacender este exemplo, localizando-o no presente, é a chave para a juventude que luta e sonha com um futuro diferente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *