A primavera feminista vive!

Nos últimos tempos vimos um avanço do conservadorismo no mundo, seja a eleição de Trump nos Estados Unidos, o crescimento do neofascismo em certas partes da Europa ou as alarmantes indicações de voto para Bolsonaro no Brasil. No entanto, ao mesmo tempo vemos em diversos lugares do mundo uma enorme resistência às ideologias do capital e avancos direitos de setores da classe trabalhadora. Talvez o maior expoente desses avanços internacionalmente seja a luta das mulheres.

Há uma semana atrás observamos uma enorme vitória das irlandesas, que conseguiram reverter uma das leis mais retrógadas de criminalização do aborto do continente. Já nessa segunda-feira vimos milhares de argentinas marcharem de verde pelo aborto seguro e legal em seu país, batalha que vem se desenrolando com mais peso ha alguns meses. O aborto seguro e legal, além de ser uma medida de proteção às milhares de mulheres que morrem todos os anos no mundo em procedimentos inseguros, é uma maneira de tirar das mãos dos poderosos o controle sobre a reprodução do trabalho e ameaçar seu lucro. No Brasil, devemos tirar inspiração dessas lutas e garantir a aprovação da ADPF 442 do PSOL, medida que alega que a criminalização do aborto seria contra os preceitos fundamentais da constituição brasileira de direito à dignidade e cidadania e portanto não é legal.

Ao mesmo tempo que alguns países encampam com mais força a luta pela legalização do aborto, outros vizinhos nossos debatem a educação antissexista. As chilenas vem ocupando suas universidades, no bojo das mobilização do #MeToo, denunciando casos de assédio e estupro. Além de revindicar que os casos sejam apurados e que se montem comissões permanentes para lidar com a violência sexual, as universitárias demandam mais professoras mulheres, mudanças no currículo que incluam o debate de gênero e mais autoras femininas. Dessa forma, as mulheres se empoderam politicamente e enfrentam os interesses daqueles que tentam controlar nosso modo de pensar e viver. Precisamos fazer o mesmo no Brasil, enfrentando o Escola Sem Partido e debatendo o feminismo em nossos locais de estudo.

Em nosso país, vivemos indicações de um levante de mulheres negras como reação a execução de Marielle Franco, uma das maiores expressões do que foi a primavera feminista de 2016, quando milhares foram as ruas clamando justiça. As sementes de Marielle estão nascendo e prometem movimentar as estruturas da sociedade. Já há um aumento enorme de candidaturas feministas negras no Brasil, o que vem sendo chamado de Efeito Marielle. No momento que vivemos é preciso apostar na mobilização das mulheres, nas ruas, nas universidades e elegendo candidatas que dialoguem com nossas necessidades e impulsionem nossas lutas.

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