Assembleia derrota proposta do governo gaúcho de antecipar plebiscito sobre privatizações

06/jun/2018, 10h30

Por Lucas Cardoso do Matto

Estudante de Ciências Sociais da PUCRS

Dessa vez não, Sartori!

O mês de junho iniciou com vitória para o povo gaúcho. Ontem, dia 4, foi votado na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, com as galerias lotadas de trabalhadores, o projeto de lei de autoria do governo estadual que adiantava de 150 para 90 dias o plebiscito que decidirá sobre a privatização ou não das empresas estatais Sulgás, CEEE e CRM. Com a proposta do governador José Ivo Sartori (MDB), a data coincidiria com a eleição na qual Sartori pretende disputar a reeleição.

A intenção do governo era misturar as discussões para que a sociedade não conseguisse debater com seriedade o tema das estatais e, de quebra, usar a iniciativa como marketing político para tentar apagar quatro anos de um governo sem diálogo, sem competência e sem base popular.

Um governo sem diálogo!

Desde que assumiu, Sartori vem aplicando uma cartilha de desmonte do estado, entregando de bandeja empresas vitais para o funcionamento do Rio Grande do Sul como a Fundação Zôobotânica que realizava trabalhos importantes para a população gaúcha como a fabricação do soro antiofídico extraído do veneno de cobras. Extinguiu também a Fundação Piratini, que incluía a TVE, um canal da cultuar e educação popular importante quando temos grupos privados controlando a maior parte da mídia. Tudo isso foi feito sem nenhum diálogo com os trabalhadores dessas empresas e muito menos com o conjunto da população. Sartori vendeu nosso patrimônio e não nos chamou para opinar. Ao contrário, reprimiu quem se manifestava contra o pacote de privatizações.

Privatização não é solução!

Na década de 90, o neoliberalismo ditou governos na América Latina e no Brasil o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB)fez sua parte. A ideia de que serviços privados são mais eficientes e livres de corrupção foi muito propagada. Para terem apoio da população com essa ideia, é necessário precarizar o serviço público e em seguida vender as estatais por preços muito baixos, fazendo a alegria das corporações privadas e do mercado financeiro. As empresas de telefonia estão aí para mostrar que não é a privatização que melhora a qualidade do serviço. A JBS e a Odebrecht estão aí para provar que em empresas privadas também há corrupção. No Rio Grande do Sul, a solução não é privatizar. O Estado pode sair do “vermelho” praticando outras ações como a cobrança dos grandes sonegadores de impostos como a RBS ou parar de dar isenções fiscais como a de R$380 milhões dadas à Innova/Videolar de Lírio Parisotto que, em contrapartida, gerou cinco empregos. Também pode ser extinto o Tribunal Militar que consome R$43 milhões ao ano para absolver agentes do Exército.