Contribuição do Juntos sobre o I Congresso Estudantil da UFRJ

26/jun/2018, 20h06

Por: Juntos! UFRJ

No último fim de semana, nos dias 22, 23 e 24 de junho, aconteceu o I Congresso Estudantil da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no campus do Fundão. Consideramos a existência desse Congresso uma vitória enorme para democracia estudantil, que tanto precisa ser incentivada e reinventada. Nós, do Juntos, lutamos desde o ano passado, como prioridade, para a existência dele. Sabemos, também, que sua existência só foi possível a partir do esforço de cada um que se dispôs a construir!

Para nós mais do que um debate sobre o estatuto da entidade, a importância do Congresso esteve na articulação das nossas lutas no próximo período para defender nossos direitos. Para nós o movimento estudantil é um Movimento Social e quebrar de fato os muros da Universidade Pública, significa também unificar as lutas estudantis com as demais lutas da classe trabalhadora, conectadas na defesa de uma outra sociedade, outro futuro.

O Rio de Janeiro vive uma brutal intervenção militar que provoca uma verdadeira chacina da juventude negra e favelada. Na semana do Congresso, vimos mais um estudante tombar, ali ao nosso lado, na Maré: Marcus Vinícius, de 14 anos, secundarista, estava indo para a escola quando levou um tiro nas costas pela Policia Militar do Rio de Janeiro. No dia de abertura do Congresso, completou-se 100 dias da execução política de Marielle Franco, mulher, negra, cria da mesma Maré. Nosso Congresso ocorreu ao lado do Complexo da Maré: era nosso papel ter manifestado solidariedade ativa aos moradores da Maré e repúdio ao genocídio da população negra e favelada, num ato público. A não existência desse ato, que articulamos ao máximo para que acontecesse, mostrou limitações da escolha de prioridades do Congresso.

Apresentamos como moção: “Repúdio à fala do Ministro da Justiça Torquato Jardim sobre o assassinato de Marcus Vinicius”. Sua fala que, “uma criança bonitinha, de 14 anos de idade, entrando em uma escola pública, não sabe o que ele vai fazer depois da escola” o reforçou a lógica de criminalização da juventude negra e favelada. É preciso se levantar por Marcus Vinicius e por todos os estudantes que são alvo da violência de Estado. Chamamos no Congresso todos ao ato do dia 28, nessa quinta, contra esse genocídio e reforçamos esse convite – não podemos nos calar!

Apresentamos, além disso, outras três moções que acreditamos serem essenciais encaminhamentos para articulação dos estudantes após o Congresso Estudantil. A primeira sobre “A taxação das Grandes Fortunas”, acreditamos que se a crise da universidade é uma realidade, são os ricaços que tem que pagar por ela e não a educação pública – que se taxe e invista na educação! A segunda sobre a “Revogação/Alteração da Lei 9192 de 1995, que estabelece um mínimo de 70% do corpo docente nas instancias deliberativas da Universidades. Acreditamos na necessidade do poder estudantil – nós temos que decidir sobre nosso futuro. Por isso defendemos a paridade de 33% do corpo docente, 33% do corpo discente e 33% dos técnicos. Por fim, a Moção de Construção do Dia 11 de agosto (dia do Estudante), como um dia de luta pela Permanência Estudantil serviu como uma contribuição, consensual do movimento estudantil para fortalecer uma luta nacional pelas políticas de permanência e em defesa do PNAES e de um piso minino de investimento estabelecido para ele. Nós do Juntos nos comprometemos a fazer do 11A um grande dia de luta.

Acreditamos que a democratização e reinvenção do movimento estudantil, passa por espaços como o Congresso, e pode ir além – pensando em como feito há 100 anos atrás pelos estudantes latino-americanos na Reforma Universitária de Córdoba e há 50 anos pelos jovens de todo mundo em 1968: os estudantes são protagonistas na luta pela defesa de um outro projeto de sociedade, rompendo os muros do ensino superior e se conectando com as lutas de todos os explorados.

Pensar um projeto de sociedade radicalmente democrática, onde a negritude não seja mais assassinada nas favelas, onde as mulheres tenham direito a seu próprio corpo, onde os LGBTs tenham o direito de existir. Nós somos maioria! O poder não pode ficar nas mãos de poucos privilegiados. Lutamos por uma democracia real, dos 99%. Hoje precisamos reinventar a esquerda brasileira, para reinventar a nossa democracia. O movimento estudantil que construímos não se restringe apenas a defesa de nossas pautas internas da universidade, ele atua e defende um projeto de sociedade.

Nós, do Juntos, temos o compromisso de lutar para que todo o movimento estudantil se disponha a essa tarefa. Universidade do povo, povo na universidade, estudar não pode ser um privilégio.