Manifesto do Juntos Minas Gerais

Manifesto do Juntos Minas Gerais
Acampamento Mineiro das Juventudes em Luta


Nós queremos falar. Nós, jovens, sem futuro, emprego e perspectiva, não temos medo. Nosso futuro está sob ataque por parte daqueles que há séculos são donos do mundo. Eles dizem que nos libertaram há 130 anos atrás, mas é impossível chamar de livres os jovens que não têm perspectiva de emprego, que não conseguem ingressar ou se manter nas escolas e universidades. Somos mulheres, negras e LGBTs, mas não somos minoria – somos a maioria da população, aqueles e aquelas que de fato produzem na sociedade, e reivindicamos nosso espaço. Nosso país é governado pelos poucos bilionários que concentram a maior parte da renda, e compram políticos para garantir que seus interesses sejam sempre garantidos. O debate sobre a corrupção e a luta contra todos os corruptos e corruptores é uma forma de evidenciar o quanto são sujas as entranhas da democracia a serviço do capital. Nesse sentido, cabe a nós mantermos nosso papel de oposição contundente aos poderosos que atacam nossos direitos, assim como aos que se aliam a eles para implementar suas políticas que nos oprimem, mantêm a sociedade desigual e destroem nosso meio ambiente.

Organizar nossas lutas pra mover velhas estruturas e construir poder para os nossos

A única saída para a crise atual e todas as outras que ainda virão é o fim do capitalismo e uma mudança radical nas democracias. Só poderemos ser verdadeiramente felizes e livres dentro de um sistema que não explore o trabalho de muitos para garantir o luxo de poucos, e para isso não basta apenas reformar o capitalismo, mas sim lutar para a sua destruição. Só é possível superar por completo um sistema que explora a classe trabalhadora e reproduz injustiça ao também se superar as estruturas que tratam as mulheres como subalternas e as vidas negras como descartáveis. Soma-se a isso, também, a importância de se defender de forma intransigente os direitos de ser e amar quem quisermos, ampliando cada vez mais o debate sobre gênero e sexualidade pautado pelo respeito à diversidade e a busca por equidade com os jovens, inclusive dentro das escolas.

A luta social pela nossa emancipação precisa ser feita em todos os espaços: o movimento estudantil, os movimentos populares e nossas poucas representações na institucionalidade precisam estar a serviço na construção desse novo projeto– de sociedade. Nas escolas e universidades, a única forma de superar a apatia e o imobilismo é através da reaproximação das bases e a inserção real dos estudantes como protagonistas dos processos, e não como simples “delegados” em congressos ou votantes em eleições. Os Grêmios, DAs, CAs e DCEs precisam ter lado e ser ferramentas para amplificar e organizar nossas lutas. Ao invés de serem meras representantes dos estudantes, as entidades precisam ser tratadas como ferramentas a serviço da defesa dos direitos e de um novo projeto de sociedade. É preciso estar em cada quebrada, em cada escola, cada periferia, lado a lado com os únicos que são capazes de mudar e mover as estruturas desse sistema, que são os que mais sofrem com ele.

A nova sociedade só poderá ser construída com organização. Nossa indignação é muito grande, mas organizá-la é indispensável para que ela possa ser traduzida em vitórias para nosso povo. Nesse sentido, deve servir como exemplo a luta social travada pelas várias greves que hoje se alastram pelo país, impulsionadas pela grande mobilização dos caminhoneiros, que pararam nosso país e mostraram que se o trabalhador para a produção, o país também para. Comemoramos durante nosso acampamento a demissão de Pedro Parente da presidência da Petrobrás, mas mantemos a convicção de que nosso combate nunca foi apenas ao seu nome, mas sim contra o projeto de sociedade que coloca a liberdade individual e a preservação do poder do 1% mais rico, tudo acima da justiça social e da vida das pessoas.

Nossa luta é pra que o povo tome o poder

Construir poder juvenil e disputar os rumos da história são, para nós, uma responsabilidade, e nossa disputa hoje é acima de tudo a disputa de uma geração. A geração que ocupou escolas e universidades já avançou muito a consciência da nossa sociedade e, para dar continuidade a isso, nossa tarefa é de organizar cada vez mais os nossos para tomar o poder e construir democracia real e justiça social. As experiências coletivas mostram que a saída é sempre a ação conjunta, e nunca individual. O avanço na consciência e na construção de redes de empatia entre os nossos é a certeza de que a revolução virá – se não for por nossas mãos, será pelas próximas gerações, que serão ainda mais feministas, antirracistas, anticapitalistas e  radicais. Assim como os lutadores de 1968, sejam os estudantes na França, os Panteras Negras nos Estados Unidos, a luta contra a ditadura no Brasil, e os movimentos de resistência anti-imperialista na América Latina, somados a Marielle e tantos outros, exigimos e lutamos por outra realidade. Contra os poderosos e por outro futuro, construímos poder juvenil em Minas, no país e no mundo!

Uberlândia, 3 de Junho de 2018.

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