Dia internacional Da Mulher Negra Latino Caribenha

por Kelly Sanny, da Rede Emancipa e do Juntas! DF

Hoje, 25 de julho, é o dia internacional da mulher negra, latino-americana e caribenha. A data existe desde 1992, e tem como objetivo dar visibilidade as questões de gênero e raça, ao mesmo tempo que viabiliza o fortalecimento das lutas das mulheres negras, contra o racismo, machismo e capitalismo, sendo então, um marco transformador para nós.

Somos nós, mulheres negras, que sofremos de forma mais severa com o machismo, racismo e com as mazelas sociais do sistema capitalista. Apesar das transformações recentes como diminuição no marco da fome, ingresso no ensino superior graças ao sistema de cotas raciais (conquistado graças a luta do povo preto), uso das redes sociais para denunciar casos de racismo e empoderamento através da estética, nós pretas, ainda somos as que mais ocupam cargos de subemprego, correspondemos a mais de 68% da população carcerária feminina, somos as que mais morrem, seja por causa de abortamentos clandestinos, seja pelas mãos do carro preto e carro prata que assombram as periferias ou vítimas de violência doméstica.

Esse é um momento de luta. Recentemente a Argentina deu o pontapé inicial para a legalização do aborto no país, o que acabou por fortalecer e dar fôlego a luta das demais mulheres latinas por esse direito. No Brasil, a ADPF 442, audiência publica em prol da legalização do aborto acontece entre os dias 3 e 6 de agosto e visa despenalizar o aborto até a 12° semana de gestação.

Legalizar o aborto é garantir uma prática segura e que não ofereça risco à vida das mulheres em especial as mulheres negras.

Para além disso, hoje é dia de lembrar de Lucía Pérez, estuprada, torturada e morta na Argentina, crime esse que nos revoltou e resultou no levante internacional do Ni Una a Menos. Dia de lembrar de Marielle Franco, assassinada covardemente para que saísse do caminho de uma casta política criminosa que nunca aceitou que uma mulher negra, mãe, LGBT e favelada estivesse ali, eleita, num lugar em que nós só teríamos acesso se fosse com a vassoura na mão, jamais para legislar. Será que se ela fosse branca e filha das elites, nós já não teríamos encontrados seus algozes e de seu motorista?

Que o dia de hoje seja de estreitamento de laços e fortalecimento das nossas lutas. Por todas nós e pelas nossas iguais que tombaram pelas mãos do sistema capitalista que nos explora e mata.

Por todas nós, Por Lucía Pérez, por Cláudia Silva Ferreira, por Maria Eduarda, por Marielle Franco e Anderson.

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