Fora Crivella

10/jul/2018, 15h43

Por: Coordenação do Juntos! Rio de Janeiro

Ontem o PSOL Rio de Janeiro entrou com pedido de impeachment do prefeito Marcelo Crivella (PRB), que na última semana cometeu uma série de crimes e irregularidades em somente um ato: recebeu numa reunião secreta 250 pastores evangélicos, em espaço público, num encontro financiado com dinheiro público, para apresentar seus pré-candidatos a deputados nas eleições deste ano. Como se não bastasse, Crivella ofereceu um esquema de vantagens a ser garantido pelo poder executivo aos seus pares: facilidade na isenção do IPTU para igrejas parceiras e acesso privilegiado a serviços hospitalares sem que tenham que passar pelos ritos e filas cujos todo o resto da população é submetido. Ele ainda garantiu vantagens no acesso a serviços de transporte.

O bispo licenciado – que parece não levar muito a sério esta licença – da Igreja Universal venceu as eleições a partir da sua forte influência entre as igrejas, sobretudo nas periferias da cidade, e, em um ano e meio de gestão foi da promessa de “cuidar das pessoas” aos ataques indiscriminados aos direitos mais básicos da maioria da população carioca, que vê as áreas sociais se deteriorarem a cada dia.

A tragédia anunciada que era um governo Crivella teve início cedo: nepotismo escancarado indicando o próprio filho para um dos postos do mais alto escalão do governo e a indicação de um ex-agente da ditadura militar para liderar a Secretaria de Ordem Pública; e se seguiu: com perseguição à Parada LGBT e a espaços e eventos que pautam as religiões e a cultura de matriz africana (como o fechamento do Jongo da Serrinha), a tentativa de desmantelar o carnaval, a negligência com a população que sofreu com as fortes chuvas e alagamentos no começo de 2018, o completo descaso e encerramento de serviços básicos de saúde – como clínicas da família e UPAs, e, mais recentemente, a aprovação da Reforma da Previdência que taxa ainda mais os aposentados, que se confirmou somente pela brutal repressão aos movimentos sociais que manifestavam do lado de fora da Câmara de Vereadores.

A juventude foi parte da linha de frente no enfrentamento aos governos desastrosos de Temer, Pezão e Crivella. Em solidariedade aos trabalhadores, mas também em defesa das nossas vidas. Dos 198 dias letivos de 2017, a rede municipal de educação funcionou em sua totalidade em apenas 14, por conta das operações e tiroteios constantes no entorno das escolas das comunidades. O símbolo do uniforme da Prefeitura do Rio de Janeiro manchado de sangue no último dia 20 de junho, representa um Rio onde o poder público só pisa nas favelas para matar pretos e pobres. Marcos Vinícius tinha 12 anos quando foi assassinado na Maré, e as palavras vazias do Secretário de Educação e do próprio prefeito por “paz”, sem tomar o lado da população que é massacrada com a presença do Exército e da Polícia Militar nas favelas, mostra a conivência com este genocídio. Lutar contra a política de Crivella é parte da luta por um outro futuro para a juventude favelada.

O escândalo da reunião “às escondidas” de Crivella e dos pastores, revela a mais baixa forma de conduzir a máquina pública: troca de favores por apoio político, enquanto seguem a linha de arrocho contra o povo e ataques severos aos serviços que necessitamos. Essa gestão não reúne condições morais (por não respeitar a laicidade do Estado e a diversidade do povo carioca) e nem legais (por infringir a lei aparelhando e se favorecendo da máquina estatal) para seguir governando o Rio de Janeiro. A câmara acatou as assinaturas para terminar seu recesso e votar o impeachment de Crivella. A prefeitura tem que governar para a maioria dos cariocas e não para poucos privilegiados, sejam grandes empresários ou instituições religiosas. Por isto seguiremos mobilizados para pressionar e exigir seriedade no tratamento da questão.

Também nesse sentido convocamos todos para o ato ‘Vamos falar com a Márcia?’ que vai ocorrer quarta feira (11/07) às 14 horas no Centro Administrativo São João, na Rua Alfonso Cavalcanti. Os vereadores reuniram as 17 assinaturas necessárias pra revogação do recesso da Câmara e entrarão em breve em regime de votação do impedimento.

Crivella deve ser deposto e novas eleições diretas devem ser imediatamente convocadas para que o povo decida os rumos da cidade!