LGBTs vão às ruas de Israel contra lei homofóbica

Por Bruno Zaidan

 

No domingo, dezenas de milhares de LGBTs israelenses saíram às ruas e entraram em greve contra uma lei aprovada na quinta-feira passada referente à maternidade por substituição (também conhecida por barriga de aluguel), que exclui homens gays.

Apesar da propaganda que Israel tenta fazer de que é um paraíso para as LGBT, nós sabemos muoito bem como isso é mentira. O texto “O exitoso soft power israelense: dos evangélicos aos LGBTI” (traduzido pela Revista Movimento) fala bem sobre o espaço que os setores mais conservadores tem no país, e sabemos também que é comum práticas como chantagem e tortura das LGBT palestinas para que sirvam de informantes contra seu próprio país.

Ou seja, enquanto Israel vende a imagem de que as LGBT são muito bem aceitas lá, podendo casar e fazer parte do exército, abre espaço para o pior da direita e do fundamentalismo em aliança contra a Palestina e o mundo árabe, sendo historicamente um braço do imperialismo norte-americano, mas estando particularmente aliado a Trump, assim como se aproximando de Le Pen, Putin e outras figuras que representam o conservadorismo no cenário global.

Como parte disso, Israel tem uma política demográfica de estado voltada para promover a limpeza étnica, uma vez que o crescimento vegetativo da população árabe é maior que o da israelense. Essas políticas de Israel são de longa data, e já passaram até pela recomendação de esterilização de jovens palestinos em Israel. E uma delas é o direito a barriga de aluguel paga pelo estado para os casais heterossexuais que não podem ter filhos.

A lei aprovada na quinta estende essa política para as mães solteiras também que quiserem ter filhos, mas uma emenda que permitia que pais solteiros e casais gays tivessem esse direito foi rejeitada. O primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, havia dito na segunda passada que votaria a favor da emenda, mas por pressão dos setores conservadores e fundamentalistas que fazem parte do seu governo votou contra.

Com isso, dezenas de milhares de militantes LGBTs e apoiadores saíram às ruas e entraram em greve pelo direito de serem considerados família e contra Netanyahu. Desde quinta, protestos aconteceram em diversas cidades, inclusive perto da casa de Netanyahu. E no domingo, a praça central Rabin Square em Tel Aviv lotou. Isso porque não apenas nesse caso, mas nas leis e nas políticas de estado como um todo, é evidente que a LGBTfobia é marcante.

O voto do primeiro ministro e a rejeição da emenda é apenas mais um elemento que mostra como essa propaganda que Israel faz de ser um lugar amigável para as LGBT é, na verdade, uma grande mentira e não passa de uma tentativa de mascarar o genocídio do povo palestino que há 70 anos é sistematicamente realizado pelo estado de Israel.

Em todos os lugares do mundo, as LGBT seguem sendo oprimidas e exploradas, e as poucas conquistas que temos são fruto de muita luta. Nossa solidariedade está com todas as LGBTs que lutam, bem como todos os povos que lutam pelo seu direito de existir e de se autodeterminar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *