519 anos de resistência! Pela demarcação das nossas terras!

Por Ingrid Paranatinga, indígena do Baixo Tapajós e do Coletivo Juntas!

2019 começa preocupante aos povos indígenas brasileiros. No primeiro dia de governo, Bolsonaro decretou um terrível ataque aos nossos direitos: a transferência da demarcação de terras indígenas da FUNAI para o Ministério da Agricultura. Essa mudança coloca em xeque os direitos indígenas e a continuidade na demarcação de nossas terras.

Bolsonaro, que sempre afirmou ser contra os povos originários em seus discursos, abraça agora seus grandes aliados da bancada ruralista. Não é novidade que o órgão indigenista sofreria ataques por parte do novo governo. A “crise” que a FUNAI vem sofrendo nos últimos anos já vinha alertando para a possibilidade de retrocessos nos direitos que conquistamos. A exploração das terras indígenas e quilombolas sempre foi um dos maiores embates entre latifundiários e indígenas, e de cobiça pelos coronéis da bancada ruralista.

Os discursos de Bolsonaro de “integrar” os indígenas indicam para uma nova tentativa de “abrasileirar” os índios que resistem há 519 anos. Trata-se de mais um passo em direção à consolidação do etnocídio como política de Estado, aumentando os ataques que sofremos ao longo dos séculos.

Vamos resistir diante de Bolsonaro. Vamos continuar lutando pela demarcação das nossas terras.

É imprescindível a demarcação das terras indígenas e quilombolas, para garantir a reprodução da vida e da cultura destes povos. Do Ministério do Agronegócio não esperamos nada de bom em relação a isso.

A demarcação das terras indígenas é extremamente necessária para garantir nosso direito de viver e existir com nossos costumes e nossas crenças. Não recuaremos 1 cm sequer. Estaremos na linha de frente com nossos aliados para derrotar Bolsonaro e esse protofacismo que tenta nos varrer da história.

#LuteComoUmIndígena