Vidas indígenas importam! Pela demarcação das nossas terras!

Por Ingrid Paranatinga, indígena do Baixo Tapajós e do coletivo Juntas!

Se alguém tinha alguma dúvida de que os primeiros a serem atacados por Bolsonaro nos seus primeiros dias de mandato seriam os povos indígenas, a confirmação está aí. Logo após a transferência da demarcação das terras indígenas da FUNAI para as mãos da bancada ruralista, a Terra Indígena ARARA localizada nos municípios Medicilândia e Uruará no estado do Pará foi invadida por madeireiros locais, causando conflitos entre indígenas e invasores.

Não é de hoje que essas terras vêm sendo invadidas. Em 2017 o Ibama, junto à FUNAI e à Polícia Federal, realizaram uma operação na região pelo fato da terra estar sendo loteada. Os 217 mil hectares ainda possuem uma grande porcentagem de madeiras de lei (nobres), causando grandes conflitos entre madeireiros ilegais e indígenas.

O que chama atenção nisso tudo, é que a terra indígena Arara fica próxima à Usina Hidrelétrica de Belo Monte em Altamira (Pará), que já em 2011 foi palco de guerra entre indígenas e setores indigenistas contra o governo petista que dava aval para a construção desse grande elefante branco, o que não será nada dificultoso nessa nova era bolsonarista para a construção de outros megaprojetos e transformar a Amazônia em mercadoria com os gangsters da bancada ruralista.

Bolsonaro desde o início já deixou claro para que veio, acabar com os direitos sociais básicos conquistados com muito suor e sangue, mas deixamos nosso aviso: NOSSA RESISTÊNCIA VEM DE LONGE! Somos o front para derrotar Bolsonaro e seus aliados, a demarcação das terras indígenas se faz urgente, mais uma vez afirmamos que não recuaremos 1cm sequer, é pelas nossas vidas e daqueles virão!