Juntos pelo direito das PVHIV e pela manutenção das políticas de combate, prevenção e tratamento do HIV

Por Rodrigo Rosa, Secretário da Associação do Movimento de Pessoas Vivendo com HIV/ AIDS e outras ISTs de Rondonópolis-MT e militante do Juntos LGBT

 

Nessa semana, a notícia da exoneração de Adele Benzaken do cargo de Diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das ISTs, do HIV e Hepatites Virais do Ministério da Saúde sinalizou um estado de alerta para todo o conjunto da sociedade civil.

A exoneração é possivelmente uma resposta do Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta sobre como Adele conduzia o cargo. Após as críticas e a retirada do ar de uma cartilha voltada para a saúde dos homens trans, o ministro concedeu entrevistas dizendo que a prevenção do HIV e de outras ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) não podem “OFENDER AS FAMÍLIAS”.

O que Mandetta quer dizer com “não ofender as famílias”?

As mudanças anunciadas antes mesmo de assumir como Ministro da Saúde vêm evidenciando qual é o objetivo do atual governo. A ideia de Bolsonaro e sua equipe é excluir a população LGBT do conceito de família, excluindo assim de todas as políticas públicas. Negar o acesso à saúde é só o início dessa “Nova Era”.

O Brasil é uma referência mundial no tratamento, e caminhava para assim ser um forte contribuinte na luta contra o HIV e outras ISTs se destacando também na prevenção. Adele está no cargo desde 2016 e foi responsável por respostas muito satisfatórias no controle e prevenção do HIV, incluindo a PReP (profilaxia pré exposição) como mais uma opção de prevenção combinada disponibilizada pelo SUS. Ao final do ano passado já havia sido anunciado mais um avanço com a autotestagem como um plano piloto para ser disponibilizado também pelo Sistema Único de Saúde.

Atualmente as estratégias de prevenção focadas nas demandas das populações chave – gays e outros HSH (homens que fazem sexo com homens), travestis e transexuais, trabalhadoras do sexo, populações em vulnerabilidade e/ou privadas de liberdade – e em uma política de redução de danos são o que mais demonstraram eficácia nessas 3 décadas de HIV. Mudar os rumos de como temos caminhado na luta contra a epidemia do HIV seria retroceder e ir na contramão de uma política internacional orientada inclusive pela OMS.

Nós podemos não vamos aceitar NENHUM RETROCESSO!
Estamos juntos pelo direito das PVHIV (pessoas vivendo com HIV)!