Irrelevante é a sua história, Ricardo Salles

Por Ingrid Paranatinga, do Juntos Pará e Amanda Dornelles, do Juntos Acre

 

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em entrevista ao programa Roda Viva na TV Cultura nesta segunda-feira dia 11, demonstrou completa ignorância a respeito da história do líder seringueiro Chico Mendes ao ser perguntado sobre seu conhecimento.

Nós, da Amazônia, sabemos bem quem é Chico Mendes. Nascido na cidade de Xapuri, no interior do Estado do Acre, Chico Mendes foi um seringueiro, líder sindicalista, ativista político e ambientalista, considerado referência internacional na luta em defesa da Amazônia, do meio ambiente e dos direitos dos povos da floresta.

Chico Mendes sempre lutou contra o avanço do agronegócio e da pecuária na Amazônia, auxiliou no surgimento de um projeto que levava a escola para dentro da floresta a partir de apostilas chamadas ‘porongas’. Em 1985, participou da criação do Conselho Nacional de Seringueiros, onde foi consolidada a proposta de criação de Reservas Extrativistas, onde os seringueiros teriam concessão do Estado para atuar em determinadas áreas.

Chico ficou conhecido também por organizar “empates”. O empate surgiu após o golpe militar de 1964, o governo passou a abrir estradas no meio da Amazônia sem políticas de preservação ambiental. Os empates eram táticas de enfrentamento pacífico de seringueiros que se organizavam em mutirões e levavam a família, mulheres, filhos para tentar convencer desmatadores contratados pelos grandes fazendeiros a desistirem de derrubadas de árvores.

Sabemos bem qual a figura de Ricardo Salles, que se mostra um grande ignorante sob título de MINISTRO DO MEIO AMBIENTE, não conhecer a luta de Chico Mendes e não fazer um esforço de procurar saber, o chamando de “irrelevante” é não se importar com a história do Brasil, não se importar com a Amazônia, sabemos muito bem os interesses do ministro das mineradoras e de Bolsonaro com o meio ambiente: abrir terreno para o lobby ruralista e agropecuário e intensificar o desmatamento na floresta amazônica, a luta de Chico Mendes não foi em vão e em tempos sombrios do novo governo Bolsonaro que ataca diariamente os povos tradicionais, ameaçando atacar suas terras e fazer da Amazônia um grande mercado para madeireiros, fazendeiros e garimpeiros se faz necessária, e é nosso dever darmos continuidade a ela, pois não devermos permitir a entrega da Amazônia.
Viva a luta de Chico Mendes!
Chico Mendes, Vive!