Desgoverno do Rio agora é oficial

A crise do Estado do Rio de Janeiro alcançou um novo patamar: Temer, em acordo com o governador Pezão, decretou uma intervenção federal militar na área de Segurança Pública do Rio - sob o suposto argumento de resolver a crise de violência vivida no Estado.

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A crise do Estado do Rio de Janeiro alcançou um novo patamar: Temer, em acordo com o governador Pezão, decretou uma intervenção federal militar na área de Segurança Pública do Rio – sob o suposto argumento de resolver a crise de violência vivida no Estado. Um general do Exército, Walter Souza Braga Netto, passará a ser o responsável, ao mando de Temer, por cuidar de todas as questões relacionadas à segurança, incluindo o Corpo dos Bombeiros. É o governo federal do PMDB intervindo no governo estadual do… PMDB. Seria cômico, mas é muito trágico! Na prática é a confissão de incapacidade do governo Pezão e o reconhecimento de que o Rio está sem comando político.

Um remédio que mata o paciente

O Exército Brasileiro já interviu no Rio de Janeiro em outras ocasiões, como na Maré e agora recentemente na Rocinha. Resolveu o problema? Não! Logo após a retirada das tropas a sensação de insegurança permaneceu no Estado e na capital carioca. Não solucionou o problema e como efeito colateral aumentou o risco de violação dos direitos humanos nos territórios sob intervenção militar. Estas operações mais serviram para matar inocentes e ampliar o poder de fogo e brutalidade sobre os pobres e negros do que de fato para resolver a crise em si. Na realidade, nem o Governo Temer nem o Governo Pezão têm um plano para acabar com essa crise, seus interesses são políticos e eleitorais.

Pode ser fake

Diante do rechaço ao presidente e ao PMDB exposto largamente no carnaval do Rio e da possibilidade da Reforma da Previdência naufragar (felizmente!), a intenção de Temer pode ser criar uma “pauta positiva”, sinalizando ao Rio de Janeiro com sua suposta preocupação com a segurança pública. Logo após os desfiles de carnaval, como o da Tuiuti, os noticiários foram inundados com cenas de crimes cometidos neste período, dando a entender que no carnaval a situação ganhou uma nova qualidade. Mas a situação da segurança pública no Rio é gravíssima há bastante tempo.

Por um plano de urgência para a segurança pública

Entendemos que a crise exige respostas imediatas, por isso, listamos algumas iniciativas que poderiam ser tomadas no curto prazo: 1) investimento nas forças de inteligência, investigação e prevenção das polícias para asfixiar economicamente o crime organizado, especialmente no que tange ao tráfico de armas e seus tentáculos dentro do Estado; 2) pagamento dos salários atrasados das forças policiais, aprovação de medidas de valorização das carreiras; 3) medidas urgentes de combate a corruptos e corruptores nas forças policiais, para que os verdadeiros chefes do crime organizado sejam responsabilizados; 4) realização de uma força tarefa para audiências de custódia que acelere o julgamento de presos provisórios – hoje a maioria da população carcerária – inibindo seu recrutamento para o tráfico dentro dos presídios; 5) impulsionar redes de proteção comunitárias, fortalecendo os laços de solidariedade entre vizinhos, como o uso de sinalizações sonoras diante de algum perigo, esquemas de caronas compartilhadas etc.;

Existem muitas outras iniciativas que poderiam ser tomadas, diante de um verdadeiro plano de segurança para as cidades, cujos efeitos seriam mais duradouros, como: políticas de incentivo econômico nas áreas mais afetadas pela violência do Rio, possibilitando a ampliação das oportunidades de emprego; fim das intervenções militares – já parte de seu cotidiano – nas favelas e da política de guerras às drogas que matam e encarceram a juventude negra e pobre de nosso país; entre outros. Mas, o decreto de Temer não busca resolver o problema da segurança.

Retomar para a população o direito de decidir sobre o destino do Rio, não à intervenção militar!

Um governo desacreditado por sua corrupção e desgastado pelo repúdio à suas medidas anti-populares só pode se sustentar por meio de manobras desse magnitude. Mas o povo demonstrou nos desfiles e nas ruas durante o carnaval que há um espaço aberto à resistência e às nossas ideias. A política que Temer propõe já foi testada em diversos momentos e não funcionou! É preciso refundar esse sistema corrupto e acabar de uma vez por todas com a máfia dos poderosos. No Rio estamos sem governo, o prefeito Crivella está na Europa, enquanto a cidade está em estado de calamidade devido a um temporal. Pezão está sob investigação e parte dos seus comparsas está presa, a máfia que governava o Rio até então está desbaratada. O Rio de Janeiro precisa de um novo governo que esteja comprometido com os interesses do povo trabalhador. Por isso defendemos a antecipação das eleições.

Como pode haver segurança pública se os bandidos estão no governo? A intervenção não trará solução, devolvam ao povo o direito de decidir. Eleições já!