É hora de construir o novo no Brasil e no mundo!

Atravessamos um momento político singular no país. A cada dia mais, o Governo Temer se prova como antipopular, ou seja, um governo que se movimenta de maneira diametralmente oposta aos interesses e às necessidades do conjunto da população. Após a aprovação da PEC 55, que limitava os gastos em saúde e educação, no final de 2016, iniciou o ano de 2017 colocando na ordem do dia a tentativa de aprovação das duríssimas reformas da previdência e trabalhista, e da lei da terceirização. Capitaneadas por um governo desmoralizado pelos casos de corrupção, as medidas de ajuste fiscal e de retirada de direitos se concretizam em um grande retrocesso à classe trabalhadora, e na negação da perspectiva de futuro à juventude.

Entretanto, essas medidas não passam intactas: se chocam com as inúmeras e crescentes lutas travadas pelos trabalhadores e pela juventude. Diante do estremecimento do regime político e da tentativa de retirada de direitos, vivemos um período em que o velho já não se sustenta, mas o novo ainda não nasceu. Neste sentido, têm sido os jovens o setor que menos possui amarras com o passado, e que mais protagoniza a construção de alternativas ao regime. A primavera feminista, as ocupações de escolas em 2015 e 2016 pelos estudantes secundaristas, as mobilizações da negritude contra o extermínio do povo preto, e a luta da juventude que não tem amarras com o passado, entre muitas outras, fortalecem a certeza de que as ruas são o principal terreno para derrotar o pacote de ajuste e a casta política podre que o aplica.

Todas essas lutas têm um ponto que as une: são parte fundamental da resistência, mas também são o motor da esperança e do surgimento do novo. Desde junho de 2013, o sistema político corrupto em vigor tem sido colocado em xeque pela ampla maioria da população. O modo de se fazer política desenvolvido após a constituição de 1988, amplamente reproduzido pelos governos petistas, no qual se escolhe governar com e em prol das elites econômicas que controlam o país há séculos, no qual se traça uma relação orgânica com as grandes empresas por meio da corrupção, e no qual se sustentam interesses de inúmeros partidos fisiológicos em nome de determinada “governabilidade”, foi duramente questionado nas ruas, e é negado nas cotidianas mobilizações da juventude.

A greve geral do 28 de abril foi uma demonstração da ampla indignação popular contra esse governo e suas reformas. Ao lado da classe trabalhadora, a juventude de todo o país esteve na linha de frente de piquetes, trancamentos e atos, fazendo transbordar o sentimento de indignação generalizada até então latente em grande parte da população. Foi uma grande demonstração de força que deve ser ampliada com novos calendários de Greve Geral e com a caravana para ocupar Brasília ainda no mês de maio.

Além disso, é necessária a mais ampla unidade com todos que estejam dispostos a lutar pela perspectiva de futuro também dentro do movimento estudantil. A mobilização no dia 29 de novembro de 2016 na luta contra a aprovação da PEC 55 em Brasília é um exemplo que precisamos ampliar e reproduzir mais vezes nas diversas universidades do Brasil. É somente com a unidade de cada vez mais estudantes junto a classe trabalhadora que iremos barrar as reformas e sedimentar a construção do novo, que ainda está nascendo.

Nem Trump e nem Temer!

Não estamos sozinhos: a pior crise econômica que o mundo já viu revela também a necessidade de uma nova alternativa de sociedade anticapitalista e antiimperialista, que perpassa quaisquer fronteiras ou muralhas que os poderosos insistem em colocar entre nós. E essa via não cabe na podridão da casta política do Brasil e do mundo. Donald Trump, nos Estados Unidos, apresenta um programa que ataca mulheres, negras e negros, imigrantes, LGBTs, privilegiando as grandes empresas negando inclusive os enormes impactos ambientais acarretados por essa política.

Por outro lado, o símbolo da construção de novas alternativas a nível mundial se sustenta nas lutas, a exemplo da greve internacional das mulheres, capaz de estremecer o coração do império, e unir movimentos de todo o mundo em um mesmo momento na luta por um novo projeto de sociedade em comum.

No Brasil, a UNE precisa ser a impulsionadora desses movimentos. Sejamos o movimento estudantil piqueteiro, que em unidade com a classe trabalhadora irá tomar de assalto os rumos do país. Não queremos uma UNE burocratizada que negocie nossos direitos em gabinetes, mas sim uma entidade que represente a grandiosidade das demandas estudantis e que seja a expressão da juventude indignada de norte a sul do país, e que esteja conectada com os processos de luta ao redor do mundo!


« Este texto é um tópico da tese do Juntos para o 55º CONUNE. »
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