Por uma UNE radical, que aposte na força das e dos estudantes!

No último período a direção majoritária da União Nacional dos Estudantes, composta por setores da juventude petista e a União da Juventude Socialista (PCdoB), fez suas apostas nas negociações de gabinete, reforçando uma cultura política no movimento estudantil com métodos retrógrados e imobilistas. É preciso apostar em novos métodos de mobilização para constituir uma democracia real e arrancar vitórias, fortalecendo o movimento e suas entidades. De Norte a Sul do país, estudantes tomaram o futuro com suas próprias mãos, ocupando suas escolas e universidades e num enfrentamento por seus direitos reinventaram a política! Que a UNE entre nessa rota de indignação e se reinvente, por uma real democracia onde os Centros e Diretórios Acadêmicos, as Executivas de Curso e os Diretórios Centrais dos Estudantes tenham vez e voz para conduzir a direção da entidade!

A universidade como espaço de resistência e o papel do movimento estudantil

Em 2018, completa-se 100 anos da Reforma Universitária de Córdoba, momento importante para refletir o papel do movimento estudantil na luta por uma universidade laica e democrática. Em 1918, os estudantes da Universidad Nacional de Córdoba levantaram-se e tomaram de assalto a condução de sua universidade, exigindo autonomia do pensamento religioso, e pautando a necessidade de um modelo de universidade radicalmente democrático, com vez e voz para as/os estudantes decidirem o funcionamento de sua instituição de ensino. Esse legado se faz mais atual do que nunca. Lutamos por autonomia em relação aos mercados, contra as privatizações e o pensamento conservador.

A juventude, linha de frente na resistência e nos processos de luta no país, quer espaço para debater, construir política pelas suas mãos e disputar assim os rumos do país. É isso que as ocupações de universidades e escolas demonstram. Em pleno 2017, é absurdo que não tenhamos eleições paritárias nas reitorias, paridade nos conselhos ou participação ativa nos Planos Políticos Pedagógicos de nossas universidades e cursos. Queremos espaço para colocar a universidade que queremos, defendendo um tripé universitário (ensino, pesquisa e extensão) de qualidade e direcionado para a produção de um saber emancipatório e a serviço da transformação da realidade social. Exigir mais transparência nas contas da universidade, para disputar as prioridades de investimento.

Nos últimos anos, muitos grupos conversadores e da direita organizada têm surgido e disputado o projeto de educação, os rumos do movimento estudantil e as lutas da juventude no país. Temos visto grupos que reivindicam “o financiamento privado nas universidades como saída para a crise”, que reivindicam o “apartidarismo” como princípio, mas que escondem ligações reais com os partidos imersos na corrupção do país, como o PSDB, PMDB, o DEM, e tantos outros. São setores que atuam para defender status quo de uma sociedade de privilégios. Mas nós sabemos que na nossa história as universidades foram palcos de organização da luta em defesa da democracia, aqui se forjaram lutadores do povo.

Precisamos que as universidades pensem seus papéis frente à conjuntura. Que a partir da produção de conhecimento crítico-reflexiva, coloque seu saber a serviço da emancipação do povo e da defesa de seus direitos. Para isso o movimento estudantil cumpre um papel importantíssimo e não podemos permitir que faculdades, principalmente privadas, criem empecilhos para a organização do movimento estudantil, que busquem inviabilizá-lo ou que persigam aqueles que lutam por uma educação e uma sociedade mais democrática. É necessário que todo o apoio seja dado aos estudantes que, a cada dia que passa, se interessam mais por organizar entidades representativas em suas universidades, mas que são barrados por reitorias autoritárias e antidemocráticas. Chega de perseguição! A organização dos estudantes é um direito! Se há muito para mudar e fazer ruir as estruturas carcomidas e antidemocráticas, disposição de luta é o que não falta. A universidade é um espaço de resistência e organização da luta!

Por um movimento estudantil dos 99%

Se vemos que por um lado a elite do país se unifica em torno da figura de Michel Temer para tentar aprovar duros ataques aos nossos direitos, por outro lado o movimento estudantil tem ganhado cada vez mais protagonismo dentro e fora das universidades. A partir do exemplo dos estudantes secundaristas que ocuparam suas escolas em 2015 e 2016, vimos, durante o mês de novembro de 2016, se espalharem pelas universidades inúmeras ocupações de cursos e de campi na luta contra a aprovação da PEC 55.

Vimos florescer nas universidades um novo movimento estudantil, que reinventou seus métodos de mobilização, tendo na radicalização e na democracia de base a partir das assembleias seus principais mecanismos para arrancar conquistas dos poderosos. A recente vitória da Chapa Todas as Vozes, na UnB, depois de anos com um grupo da direita organizada à frente do DCE, é exemplo que é exemplo de que é possível derrotar o pensamento conservador aliado dos governos.

Somos entusiastas de uma ampla unidade com todas e todos que estiverem dispostos a lutar contra e derrotar as reformas do Governo Temer, que colocam em risco nosso futuro de Norte a Sul do país. Neste sentido, nos espelhamos na radicalização protagonizada pela classe trabalhadora ao lado da juventude na Greve Geral do último 28 de abril, responsável por paralisar grande parte da produção do país e desestabilizar ainda mais o governo através de uma grande demonstração de força dos de baixo.

Ao mesmo tempo, é momento de revolucionar o movimento estudantil. Em sintonia com os novos tempos, não podemos deixar que práticas que combatemos mais a cada dia nos palácios tenham dentre os estudantes um terreno fértil. Infelizmente a UJS e os demais setores da direção majoritária da UNE conduzem a entidade de maneira burocrática e distante da realidade da maioria dos estudantes, priorizando muitas vezes acordos de gabinete em detrimento da luta por nossos direitos. Conjuntamente, os setores que compõem o Campo Popular dentro da UNE se vestem de novo, a partir de um discurso de democratização da entidade, para seguir representando o velho, com o apoio declarado a Lula como a saída para a crise do país em 2018, junto de práticas semelhantes à da direção majoritária no movimento estudantil.

Devemos ser parte da construção de um novo, de uma nova alternativa que não se renda aos vícios do passado, que combata dentro e fora das universidades as castas políticas corruptas que governam em prol de seus próprios interesses e das empresas que as financiam. Por isso, depositamos nossas fichas na construção do campo da Oposição de Esquerda.

Sabemos que as responsabilidades são grandes para nós, do Juntos!, da Oposição de Esquerda, e dos vários movimentos sociais, coletivos e ativistas que se propõem a construir conosco. As propostas contidas nesta tese são um esforço para organização de nossa luta. Esperamos a contribuição dos milhares — ou milhões! — de estudantes do Brasil, para aprimorar o que propomos. Juntos, nós podemos vencer, pelo direito ao futuro!


« Este texto é um tópico da tese do Juntos para o 55º CONUNE. »
Leia a tese completa e assine embaixo!