Que os ricaços e corruptos paguem a conta da crise

Durante o ano de 2016 e a intensa dinâmica política que vivemos no Brasil, um dado passou quase que despercebido: segundo a organização não-governamental britânica Oxfam, os 1% mais ricos da população mundial passaram a deter metade da riqueza acumulada no mundo. Esse dado expressa uma tendência geral, na qual os momentos de crise econômica, como o que vivemos agora mundialmente, são momentos de maior concentração de riqueza em mãos de poucos, afetando diretamente amplos setores da sociedade; dentre eles, a juventude.

No caso brasileiro, tem-se evidenciado, a cada dia, os interesses perversos por trás das reformas propostas pelo governo. Sustentadas pela narrativa de que seriam parte do esforço comum — a ser empenhado pela população — para superarmos juntos a forte crise econômica que vivemos, as reformas anunciadas pelo governo Temer, como a trabalhista e a da previdência, são medidas que privilegiam somente o 1% mais rico da sociedade. Em lugar de taxar as grandes fortunas, ou rever os juros astronômicos da dívida pagos mensalmente para os bancos, o governo prioriza colocar a conta da crise nas costas da população, retirando por completo a possibilidade de um emprego digno e de se aposentar: retirando, na prática, o nosso direito ao futuro.

Não bastasse a tentativa de destruir direitos históricos garantidos com muita luta, a elite do país transformou o Estado brasileiro em um verdadeiro balcão de negócios, como tem ficado cada vez mais evidente. A Operação Lava-Jato segue desvendando o modus operandi de funcionamento dos negócios no Brasil durante os últimos dez, vinte, trinta anos. Trata-se de uma sólida unidade entre grandes empresas, muitas delas financiadas com dinheiro público do BNDES, e a casta política dirigente do país, que se descola cada vez mais dos interesses concretos da população: através de doações eleitorais, doações via caixa 2, favores pessoais, e propinas, as empresas definem as prioridades políticas do governo, e fraudam contratos de licitação para realizar obras e serviços superfaturados. Com isso, obtêm lucros exorbitantes.

A divulgação da lista de envolvidos nas delações da Odebrecht não deixa dúvidas de que este regime político não nos serve. Todos os políticos que ocuparam cargos relevantes no país nos últimos 30 anos estão envolvidos em maior ou menor escala. A lista vai de Aécio Neves do PSDB, citado em cinco inquéritos diferentes, a Vicente Cândido do PT, relator da proposta de reforma política que visa manter os corruptos no poder; de Gilberto Kassab, ex-ministro das cidades do Governo Dilma, a Paulinho da Força, braço direito de Eduardo Cunha e dirigente da Força Sindical; passando por Renan Calheiros e pelo núcleo duro do Governo Temer, com Romero Jucá, Rodrigo Maia, os ministros Eliseu Padilha, Moreira Franco, Aloysio Nunes, Blairo Maggi, e o próprio Michel Temer.

A casta política que está à frente do país não tem as mínimas condições de seguir governando, muito menos tem legitimidade para decidir o futuro do povo. Enquanto transformam a política no palco de seus interesses próprios, querem delegar ao povo e à juventude condições insustentáveis de trabalho, sem direito a se aposentarem. Queremos uma democracia real, que priorize os 99% da população, e que supere por completo os métodos e os sujeitos desse sistema político falido.

Por isso, propomos:

  • Por uma nova convocatória unificada de Greve Geral no país!
  • Fora Temer e os corruptos do Congresso Nacional! Eleições Gerais já!
  • Não à Reforma da Previdência: a juventude tem direito a um futuro;
  • Por uma Assembleia Popular Constituinte que discuta os rumos do Brasil
  • Que a Operação Lava-Jato vá até o fim, doa a quem doer!
  • Não à reforma trabalhista: por salários dignos e contra as demissões;
  • Abaixo a lei da terceirização: nosso futuro não será terceirizado;
  • Que os ricos paguem pela crise: taxação das grandes fortunas;
  • Auditoria da dívida pública.

« Este texto é um tópico da tese do Juntos para o 55º CONUNE. »
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