Soldado acusado de entregar documentos ao Wikileaks tem 22 acusações

03/mar/2011, 18h05

A mais grave é a de ajudar o inimigo, que poderia levar à pena de morte. Procurador afastou a pena máxima, mas o soldado de 23 anos pode vir a ser condenado a prisão perpétua.

O Pentágono apresentou 22 acusações contra o soldado Bradley Manning, que está preso a aguardar julgamento numa base militar da Virgínia, por alegadamente ter entregue documentos sigilosos do Exército e do Departamento de Estado para a WikiLeaks. A acusação mais grave é a de ajuda ao inimigo, porque o Departamento de Defesa considera que a informação divulgada ajudou os Taliban e a Al Qaeda na guerra do Afeganistão. A pena máxima para esse crime é a morte, mas o porta-voz do Pentágono anunciou que não vai pedi-la para Manning.

Mas o soldado, de 23 anos, pode vir a ser condenado a prisão perpétua. O Pentágono não quis esclarecer se houve mortes directamente relacionadas com a fuga de informação.

Manning foi detido em Maio passado, graças à denúncia do hacker americano Adrian Lamo, que entrou em contacto com o soldado através da Internet.

Em Julho do ano passado, o Exército já apresentara duas acusações formais contra Manning pela fuga de dois vídeos de guerra, um deles divulgado pela WikiLeaks, e 50 telegramas classificados do Departamento de Estado.

“As novas acusações reflectem de forma muito mais exacta a vasta gama de crimes de que acusamos o [soldado] Manning”, afirmou em comunicado o capitão John Haberland, porta-voz do tribunal do distrito militar do exército de Washington.

São 22 as acusações contra Manning: uma por ajudar o inimigo, uma outra por publicação indevida de informação na Internet, sabendo que seria acessível ao inimigo, mais cinco por roubo de informações de propriedade pública, oito por transmissão de informações relativas à defesa do país, duas acusações adicionais por fraude e actividades relacionadas através do uso de computadores e, finalmente, cinco acusações de violação de normas internas do Exército.