Fobia ao igual diferente

27/maio/2011, 04h14

por Diego de Jesus, colaborador do Juntos!



Desde seus primórdios o homem tende a temer o desconhecido. Seu cérebro, ou mais precisamente a parte denominada de cérebro reptiliano, assimila o encontro com o inesperado e o diferente como sendo uma ameaça. Porém, existe muito mais do que ações químico/cerebrais por trás de atos de repulsa. A falta de conhecimento, ou o conhecimento limitado advindo de seu ambiente social e principalmente familiar limita o homem – e quando falo em homem falo em gênero – a interpretar de forma rasa o novo.

Novo… Atribuir à homossexualidade o caráter de “novo” é dizer que mais de 4.000 anos é uma idade ínfima. Na Grécia Antiga (2.000 a.C), já se encontra relatos de relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo, porém, não havia a denotação de homossexualidade, pelo fato de que a sociedade Greco-Romana encarava o sexo baseado em prazer e em uma ligação divinal com os seus deuses.

A homossexualidade é um fenômeno muito antigo, do qual há evidências tanto na arte pré-histórica quanto na pictografia e nos hieróglifos de culturas da antiguidade.”(Alderi Souza de Matos, http://www.monergismo.com/textos/homossexualismo/homo_alderi.htm)

Mas não tão longe dos tempos atuais, em 1937, o livro Capitães da Areia, de Jorge Amado, menciona a postura religiosa do personagem Padre José Pedro, ao convencer Pedro Bala, o líder dos Capitães da Areia, a “criminalizar” a pederastia dentro de onde moravam. Isso ilustra a postura adotada pela igreja cristã quanto às relações homossexuais. Ao contrário de diversas culturas que o antecederam, o Cristianismo proíbe as relações homossexuais baseado na Bíblia, Romanos 1:26-27. Porém, a Igreja Católica também apoiou os ideais de Hitler no inicio do Nazismo e foi complacente com o racismo durante anos.

Já não é mais aceito a denominação “homossexualismo”, pois desde 1973 as principais organizações de saúde, inclusive as de psicologia, deixaram de classificar as relações homossexuais como distúrbios ou patologias.

Atualmente, mais precisamente no dia 05 de maio de 2011, se tornou legal perante ao Superior Tribunal Federal a união homoafetiva, onde juridicamente gays podem se casar no Brasil, tendo sua união estável reconhecida pela justiça, garantindo direitos como pensão, herança, comunhão de bens e previdência social, devendo também facilitar a adoção de crianças por esses casais.

Cada vez mais a sociedade se distancia da ignorância, e tem menos argumentos para suas afirmações engessadas sobre suas verdades absolutas. Porém, “a noite sempre é mais escura antes do amanhecer”, e os relatos de atos violentos contra homossexuais ainda são constantes. A Avenida Paulista, em São Paulo, já virou palco para essas ações, mas a animália não para ai, pois no ano de 2010 o Grupo Gay da Bahia (GGB)  fez um levantamento sobre assassinatos da comunidade LGBT no Brasil, que registrou 270 mortes.

E mesmo sabendo de todos esses fatos o Deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que cumpre sua sexta legislatura na Câmara dos Deputados do Brasil, diz a quem queira ouvir que é contra os direitos dos homossexuais e que o Ministério da Educação (MEC) estimula a homossexualidade com a distribuição dos kits anti-homofobia nas instituições de ensino fundamental e médio.

Meu discurso não é em prol das relações entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos diferentes. É em busca pela aceitação e compreensão de que não é a cor da pele, opção sexual, escolha religiosa, posição social, bandeira partidária ou “tribo cultural” que nos faz diferentes. A nossa diferença está em como agimos com o próximo, pois ele, quer você queira ou não, lhe é semelhante por ser humano.