A importância da luta dos bombeiros do Rio de Janeiro

10/jun/2011, 11h52

*Honório Oliveira

O movimento dos bombeiros do Rio de Janeiro completa hoje 49 dias, é um movimento que tem uma transcendência enorme, mudou a situação política do Rio de Janeiro e está influenciando diversas categorias e corporações no Brasil inteiro. O movimento começou reivindicando reajuste salarial e vale transporte. Os bombeiros do Rio recebem R$ 1.031,38 brutos. Durante todo o movimento eles se manifestaram no centro da cidade com marchas, hinos e a ocupação da escadaria da ALERJ tentando assim abrir uma via de negociação.

O Governo Cabral nunca quis ouvi-los e quando os bombeiros persistiram colocou como condição para o diálogo o fim do movimento retaliando lideranças e transferindo para o interior muitos manifestantes. Com o endurecimento do governo e o fracasso da via de diálogo com a Assembléia Legislativa os militares se radicalizaram e ocuparam o Quartel General. Foi uma ação impressionante e a autoridade adquirida no movimento por alguns militares sobre os demais companheiros da tropa é muito grande. No ato da ocupação do Quartel General, a tropa de choque da PM se recusou a reprimir os colegas e todos eles estão presos. Depois de ocupado o quartel, policiais do BOPE tiveram que ser escolhidos a dedo para invadir. A invasão foi bárbara, o BOPE fez disparos de fuzil, teve enfrentamento com os policiais e diversos feridos, além de a esposa de um bombeiro ter abortado devido a situação. No momento da invasão já era manhã e existia uma deputada no interior do quartel. Era a companheira Janira Rocha que é hoje a parlamentar mais credenciada junto ao movimento.

O papel dos companheiros Marcelo Freixo e Janira Rocha é extraordinário, com destaque para Janira que, com sua experiência na área sindical é hoje parte do movimento, com autoridade e reconhecimento dos bombeiros. Podemos dizer que hoje a companheira é “parte da tropa” e que a bancada do PSOL é o segundo elemento qualitativo deste processo ficando atrás somente do próprio movimento. Janira foi recebida no quartel onde os bombeiros estão presos aos gritos de “Musa dos Bombeiros” e muitos militantes e dirigentes do PSOL passam o dia acampados na ALERJ.

A greve dos bombeiros representa uma virada na conjuntura política do estado e pode apontar para a possibilidade de uma nova dinâmica da luta de classes no Brasil. No dia 7, os professores numa assembleia representativa deliberaram por greve e na sexta farão uma passeata junto aos bombeiros. Outros sindicatos do estado também estão decretando greve, ou seja, os bombeiros foram vanguarda e por sua determinação deram exemplo para milhares de outros trabalhadores.

A situação do governo é muito complicada. Cabral, que já havia dito e feito coisas piores, desta vez foi brutal com os bombeiros, instituição que em diversas pesquisas aparece como a mais respeitada do Brasil. No imaginário do povo Cabral tratou heróis como bandidos. O desgaste é enorme e só uma tragédia alteraria a defensiva do governo. No domingo haverá uma passeata muito importante por Copacabana, pois pode contar com apoio de personalidades, artistas e da população como um todo, que é massivamente a favor do movimento e manifesta isso com buzinaços, faixas vermelhas na roupa e nos carros, caso o governo não liberte e anistie os 439 bombeiros será o terceiro grande erro de Cabral. O movimento tende a crescer mais ainda e pode contar com a adesão de outras categorias. As lideranças que estão sendo formadas neste processo são impressionantes, grandes agitadores e têm um forte senso democrático.

A greve dos bombeiros é muito mais importante do que as outras greves que ocorreram nos últimos anos, porque debilita o governo do Rio de Janeiro, criando uma crise política no estado da copa e das olimpíadas, que em pouco tempo pode ser o mais importante do país e, também, porque o exemplo dos bombeiros pode ser a centelha para a organização de outras categorias no Brasil inteiro.

*Militante do PSOL-RJ e colaborador do Juntos!

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