Ato contra o Saresp AMANHÃ em São Paulo!

28/nov/2011, 12h30

*Fabricio Mendes
**Cibele Lima

O SARESP é uma prova aplicada anualmente aos estudantes que estão concluindo o Ensino Médio e também da 2ª, 4ª, 6ª, 8ª série do ensino fundamental. Com os resultados, o governo do estado calcula o Índice de Desenvolvimento da Educação Paulista, criando um ranking das “melhores e piores” escolas.

Este ranking é utilizado na imprensa e na propaganda eleitoral, divulgando os melhores resultados atingidos por algumas escolas para dizer que a qualidade da educação paulista vem crescendo.

As escolas com desempenho mais baixo são as que mais pedem socorro – atingidas por diversos tipos de violência, com infra-estrutura precária, falta de professores e grande evasão de alunos. Ao invés de investir prioritariamente nestas escolas, o governo transfere a responsabilidade aos estudantes e professores – pagando bônus proporcionais ao desempenho das escolas na prova do SARESP, quando deveria conceder aumento salarial a todos os professores e investimento proporcional às necessidades da escola.

Isso gera uma casta de escolas privilegiadas pelo bônus e uma imensidão de outras abandonadas e professores punidos. O estado hoje conta com 5,3 mil escolas, e no último ano quase 1.500 escolas não receberam o bônus porque não atingiram a meta. Ou seja, a Secretaria Estadual de Educação não oferece condições para que a qualidade do ensino melhore nestas escolas. Estudantes e professores vivem em constante clima de tensão, cobrança e competição, sendo considerados os únicos responsáveis pelo sucesso ou o fracasso do conjunto escolar.

Visando propaganda durante as eleições, o governo incluiu as ETECs nas avaliações em 2009. As Escolas Técnicas, que são vinculadas ao Centro Paula Souza e não à Secretaria da Educação, recebem maior investimento técnico e selecionam seus alunos pelo vestibulinho. Ou seja, inclui-se mais escolas públicas na avaliação mas o efeito disso no resultado é a superestimação das estatísticas, aparentando um salto de qualidade na educação.

Além de tudo, a desorganização da prova é semelhante ao ENEM. Problemas com a gráfica responsável, adiamento em cima da hora, erros nos cadernos de prova e folhas de gabarito, além de denúncias de fraudes e cola rolando solta.
Tudo isso maqueia um quadro trágico da educação paulista: escolas com infra-estrutura precária, tratadas como presídios; ausência de laboratórios e equipamentos tecnológicos e até mesmo de materiais básicos como giz e carteira; salas superlotadas; carência de professores e docentes mal-formados devido à omissão do Estado no que diz respeito a investimento em cursos de licenciatura de qualidade e espaços de formação pedagógicos. Professores e estudantes são tratados como objetos sem valor pelo sistema de ensino.

Este ano o SARESP será aplicado dias 29 e 30/11. Mas nós não vamos nos submeter a essa farsa criada pelo governo estadual para sua auto-propaganda.

Chamamos estudantes e professores a se unirem não para obedecer a esses desmandos, mas para dizer que acreditamos em outro tipo de educação.

ATO: dia 29/11
Concentração na praceta da ETESP às 7h30
Ato em frente ao Centro Paula Souza às 8h
Praça Coronel Fernando Prestes, 74 (metrô Tiradentes)

*Estudante da ETEC Guaracy Silveira e militante do Juntos!
*Coordenadora da Rede Emancipa

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017