As Ruas são do Povo!

14/dez/2011, 11h18

*Marcus Vianna

As ruas e avenidas de cada cidade pertencem a sua população. São nessas que a coletividade se encontra e realiza seu cotidiano. As compras do pão, as festas populares e até as suas manifestações políticas. Em um primeiro momento na história das cidades brasileiras o próprio povo denominava, pelos usos e costumes, o seu espaço público. Porto Alegre já teve a sua Rua da Praia, Rua do Arvoredo, até mesmo a Rua dos Pecados Mortais. No século XIX se implementou a mania atual de denominar as vias públicas com nomes de pessoas importantes. Importantes para quem? No caso de boa parte do século XIX dos amigos do Imperador e depois dos amigos da Oligarquia governante da República. Mas o fato é que as ruas e avenidas seguem públicas.

Essa semana Porto Alegre enfrenta uma polêmica pertinente. Por iniciativa da bancada de vereadores do PSOL existe a possibilidade de mudarmos o nome da Av. Castelo Branco para Avenida da Legalidade. Temos a possibilidade de trocar o nome de um Ditador pelo nome do Movimento do povo do Rio Grande do Sul e do Brasil, chamado de Legalidade, que enfrentou e derrotou o golpe em 1961. Justamente neste ano em que o evento completa seus 50 anos. Porém os “filhotes” da DITADURA mostram a cara e ameaçam derrotar esse projeto na Câmara Municipal.

Em um país que até agora não julgou seus ditadores e torturadores, essa posição de preferir homenagens ao primeiro presidente general do que ao povo no seu conjunto é bem comum. Enquanto a sociedade não agarrar para si a tarefa de construir uma democracia real ainda teremos que conviver com esses Sarney’s da vida que construíram suas carreiras como políticos da DITADURA e que seguem nos governos desta democracia irrisória atual.

Neste momento devemos lembrar dos nossos heróis, anônimos ou não, que naqueles anos de chumbo enfrentavam a repressão e ousavam lutar contra a opressão política e econômica. Não queremos homenagens, mas sim nossos direitos. Certamente um deles é retirar as homenagens dos ditadores e torturadores do passado e questionar porque a Legalidade não é lembrada? Ou porque o estudante Edson Luis, assassinado aos 16 anos pela Ditadura não tem nenhuma homenagem e seus algozes sim?

*Professor de História na Rede Emancipa e Mestrando em História na UFRGS.

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