Tunísia: Um ano sem Ben Ali

16/jan/2012, 12h49

* Guilherme de Oliveira

via Megafonadores

Há exatamente um ano o ditador Ben Ali deixou a Tunísia devido as manifestações populares. O ditador que durante 23 anos roubou os direitos e as riquezas do povo tunisiano foi obrigado a deixar o poder a mando do povo que disse basta ao totalitarismo, aos assassinatos e prisões. O regime matou cerca de 600 pessoas, torturou, prendeu, expulsou do país por preterir o poder aos interesses do povo. A ex-colônia francesa que conquistou sua independência em 1956, obteve sua segunda grande vitória sobre aqueles que os oprimem em 2011.

A primavera árabe comemora hoje seu primeiro aniversario com a certeza de que a revolução apenas começou. Por dignidade, liberdade, igualdade e justiça social o povo tomou as ruas em todas as cidades tunisianas pagando com suas vidas, com humilhações e prisões o preço da sua causa. O ditador Ben Ali caiu, logo as mobilizações tomaram as ruas no Egito, Barein, Síria, Líbia. Hosni Burak foi chutado pelo povo egípcio assim como Kafafi na Líbia. O mundo árabe tem outros protagonistas e todos devem saber disso.

Todos devem saber que esse mundo é feito de homens e mulheres, que ditadores tem um prazo de validade muito curto se olharmos o tempo da história, mas o povo permanece e sempre será o protagonista da sua própria história. Os imperialistas que urinam nos talibãs, que invadem os países árabes como se fossem seus quintais, que matam em nome do petróleo devem saber. Os países que ficam ao lado dos ditadores por interesses econômicos e contribuem para a opressão do povo devem saber que em nenhum lugar, muito menos com os árabes se deve tentar usurpar qualquer riqueza, seja ela liberdade ou material. A revolução apenas começou, nossos irmãos palestinos seguem lutando por sua soberania contra os interesses dos imperialistas que sustentam o estado sionista de Israel que nada mais fez até hoje do que oprimir o povo árabe. Tanto Israel como os Estados Unidos cairão como caíram os romanos, sucumbirão diante da sua própria podridão pelas mãos dos povos desta terra.

A bestialidade do imperialismo não tem limites em seus atentados a dignidade humana, a soberania dos povos. Pois sua sina de fracasso, de morrer por uma causa mercenária será dada nos campos de batalha deste mundo que é nosso é não deles, seja no Oriente Médio, seja em qualquer outra parte do mundo. Egito, Tunísia, Palestina que sirva de exemplo para América Latina! Vivam as revoluções árabes!

* Guilherme de Oliveira é presidente do Centro Acadêmico da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS e militante do Juntos!