8 de março: Saia às ruas por igualdade, autonomia e contra a violência!

04/mar/2012, 21h27

Hoje em dia muitas de nós recebemos de nossos amigos ou companheiros felicitações durante o 8 de Março. Flores e presentes são comuns numa mistura de dia das mães com dia dos namorados.

Não é a toa que o dia internacional da mulher é comemorado nesta data. Em 8 de Março de 1917 a greve das operárias russas reivindicava melhores condições de trabalho, de vida, além de uma pauta política: eram contra a entrada do país na primeira guerra mundial. A mobilização dessas mulheres marcou a histórica Revolução Russa.

Essa não foi a única mobilização em que as mulheres foram protagonistas. No ano de 2011, ano de efervescência política em todo o mundo, estivemos na primavera árabe ocupando as praças, foram as mulheres que estavam protagonizando o coro contra as ditaduras e por mais democracia. Neste mesmo ano, depois de décadas, houve um ato do 8 de Março nos países do Oriente Médio. Estávamos na Praça do Sol da Espanha reivindicando Democracia Real Já. No Chile, jovens mulheres dirigem os estudantes e mães estão lado a lado com seus filh@s nas ruas e ocupações de escolas pelo fim de um sistema educacional mercantil. Também estamos nas ocupações de Nova Iorque, porque também fazemos parte do 99% contra o 1% governante e corrupto.

As Marchas das Vadias eclodiram em todo o mundo com as mulheres que tomaram as ruas para reivindicar o direito ao próprio corpo, e dizer que não admitimos sermos responsabilizadas pelo estupro e violência contra a mulher. Protagonizamos muitas lutas em todo o mundo e pudemos celebrar espaços contra a lógica que naturaliza o reconhecimento dos espaços públicos e políticos como espaços masculinos.

A participação das mulheres na política é uma conquista do movimento feminista. Mas o governo Dilma é um bom exemplo para mostrar que não basta ser mulher para representar as nossas pautas. Já na campanha presidencial, a então candidata, recuou em seu programa sobre a descriminalização e legalização do aborto, como forma de garantir o apoio de setores conservadores nas eleições.

Passados mais de sete meses de sua gestão, nenhum compromisso efetivo com a politica para mulheres. No ano passado, foram cortados mais de R$ 5 bilhões para o programa de prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher. A Lei Maria da Penha foi um importante avanço, mas muitas vezes é ignorada.

Infelizmente, as pautas das mulheres e LGBTs, como a PLC 122 e o kit anti-homofobia, são utilizadas como barganha com a bancada conservadora. Esses e outros casos, evidenciam que o governo petista está do lado dos corruptos e do empresariado brasileiro,  e não do lado das mulheres e do povo. Um exemplo disso, é que o país é o pior colocado no índice de desigualdade de gênero na América Latina.

Devemos lembrar a todos que esse dia não é só mais uma data comercial, não queremos ganhar presentes, queremos lembrar as importantes lutas sociais, econômicas e políticas das mulheres. Depois de mais de 100 anos de luta, estaremos Juntas! nos atos e nas caminhadas do dia 8 de março – Dia Internacional de Luta das Mulheres reivindicando igualdade, autonomia e o combate à violência contra as mulheres.