Memória, verdade e justiça!

28/mar/2012, 23h04

* Guilherme de Oliveira

A ditadura civil-militar completa 48 anos sem que ela tenha realmente acabado. Dentre o rol de crimes, no dia 28 de março de 1968 a repressão assassinou a sangue frio o estudante Edson Luís e nós estudantes seguimos de luto e com certeza na luta. Hoje o Juntos! foi paras ruas mostrar que a juventude lutadora esta viva e jamais irá esquecer de jovens como o companheiro Edson, que foi assassinado por lutar contra a ditadura. Sua luta não acabou e nós estamos aqui para cobrar justiça. Os militares seguem comemorando o que chamam de revolução, os militantes de esquerda e aqueles que tinham a possibilidade de ser seguem desaparecidos, os agentes do terror que cometeram uma série de crimes seguem impunes. Nomes de ditadores militares são homenageados em placas de ruas e avenidas, jornais ignoram o fato de não ter existido eleições democráticas no período da ditadura e chamam os fascistas de presidentes.  O Brasil foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), pela violação de direitos fundamentais e nada até agora foi feito. Argentina e Uruguai colocam os militares criminosos na cadeia. No Brasil o governo acena com uma tímida Comissão da Verdade que pouco pode fazer se não for combinada com a Justiça.

Todos os anos quando se aproxima o final de março os ventos do passado voltam a soprar mais fortes. Pessoas que ousaram lutar por uma sociedade mais justa, igualitária e sem que houvesse exploração do homem pelo homem, se fazem mais presentes apesar do esforço dos agentes do terror em deixar-las no passado. Militares saudosos do tempo em que a lei da bala era o código civil e penal, a burguesia nacional e as multinacionais imperialistas sentem um desconforto e um verdadeiro medo de serem julgadas e ocuparem os seus devidos lugares de assassinos na história. O medo não é sem sentido, a justiça não é sem tempo. Nada podemos esperar desta justiça burguesa que nada mais faz do que legitimar os crimes da classe dominante. A justiça é nas ruas, é na luta contra aqueles que patrocinaram e mantiveram a ditadura militar. Tão valentes se dizem nos campos de batalha, tão impunes se dizem atrás das suas fortunas, mas tão covardes se tornam quando se fala em verdade e justiça. Sabem que seus crimes conexos em nada tem conexão com o que aconteceu. Como pode o Estado permitir que para um crime de assalto se puna com estupros, assassinatos, torturas, desaparecimentos?  Que inclusive na falta de um delito, mas na desconfiança de um se aplique a pena capital? Essas respostas não devemos cobrar na justiça, a qual não tem a capacidade de julgar nem o terrorista Curió, responsável pelo assassinato de 62 militantes que seguem desaparecidos. Essas respostas devemos cobrar na luta contra o sistema, pois só derrotando o capitalismo poderemos execrar do poder terroristas como o Nelson Jobin e o Delfim Neto que seguem de mãos dadas com o judiciário e o governo.

Queremos enterrar nossos mortos, queremos saber onde os fascistas os esconderam. Queremos ainda conscientes os agentes do terror na cadeia pelos crimes que cometeram, pois não é possível que eles passem a velhice comemorando lembranças de torturas e estupros impunemente. Somos aqueles que sobreviveram, que morreram lutando contra a ditadura civil-militar. Nossos heróis apesar de não serem nomes de ruas, seguem sendo reivindicados e assim sempre serão enquanto existir um militante de esquerda vivo no Brasil. Os militares tentaram acabar com o socialismo no Brasil, mas se esqueceram que se pode matar um homem, nunca uma causa!

Ousar lutar, ousar vencer!

* Guilherme de Oliveira é presidente do Centro Acadêmico de Comunicação Social da PUCRS e militante do Juntos!