Teixeira caiu, mas a luta continua.

16/mar/2012, 00h15

*Por Júlio Câmara 

Depois de 23 anos como presidente da CBF, articulando tenebrosas negociatas em benefício próprio, Ricardo Teixeira não aguentou a pressão popular que tomou grande força em 2011 e pediu pra sair. No dia 12, ele abandonou o cargo sem se manifestar publicamente. Deixou uma carta de renúncia ao cargo na CBF e Comitê Organizador da Copa, e deve sair do país por um tempo para evitar perguntas.

    No ano passado, a gota d’água foi o investimento de R$30 milhões dos cofres públicos para realizar o sorteio das eliminatórias. O mesmo sorteio que na última Copa foi feito com apenas R$2 milhões. Não por coincidência, a empresa contratada para promover o evento é da Rede Globo, grande defensora de Ricardo Teixeira.

    Indignados com as falcatruas no futebol, fomos às ruas Juntos com a Frente Nacional dos Torcedores, movimento social que luta pelos direitos dos torcedores, para exigir a saída de Ricardo Teixeira. Nas principais cidades do país, os torcedores ignoraram qualquer rivalidade e unificaram o grito: Fora Ricardo Teixeira!

   Logo que a imprensa divulgou indicativos de uma relação corrupta de Teixeira com a empresa Ailanto, investigada por superfaturamento em um amistoso entre Brasil e Portugal, o manda-chuva do futebol brasileiro se licenciou por motivo de doença. O que lhe surpreendeu foi que a poeira não baixou, e ainda com a memória das manifestações do ano anterior, resolveu largar o cargo definitivamente.

    Infelizmente, quem fica no lugar de Teixeira é José Maria Marin, que carrega no seu currículo o cargo de governador biônico de São Paulo (indicado diretamente pelo regimente militar durante a ditaura). Com essa substituição já notamos que ainda não conquistamos democracia na CBF, mas também fica claro que conquistamos uma enorme vitória derrubando o símbolo do futebol corrupto que promove grandes negociatas favorecendo a si próprio e seus aliados sem qualquer compromisso com a paixão nacional.

   Seguimos na luta pela antecipação das eleições democráticas para presidente da CBF, previstas para 2015, contra a elitização do futebol que resume o esporte em negócios. Pelo futebol popular nós jogamos Juntos!

*Júlio Câmara é vestibulando e do Juntos RS