Os 16 anos do “Massacre de Eldorado dos Carajás”

17/abr/2012, 17h47

*Paola Rodrigues

O dia 17 de Abril de 1996 foi marcado por uma das ações policiais mais violentas do Brasil, praticada contra 1.500 famílias de sem-terras que faziam, na época, uma marcha em protesto pela demora da desapropriação da recém-ocupada fazenda Macaxeira, em Curionópolis (PA). O confronto ficou conhecido como “Massacre de Eldorado dos Carajás”, que matou 19 trabalhadores rurais e deixou mais de 60 feridos. Na época os trabalhadores rurais interditaram a rodovia BR-155, que liga o Pará ao sul do estado.

Massacre de Eldorado dos Carajás

A ordem para a ação policial para a “desobstrução da via” foi dada pelo gabinete do então governador Almir Gabriel (na época, do PSDB; hoje do PTB) e encaminhada pelo secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara. A execução, por parte da polícia militar do estado do Pará, foi realizada em ação comandada pelo Coronel Mário Colares Pantoja e o Major José Maria Pereira Oliveira.

De acordo com os sem-terras ouvidos pela imprensa na época, os policiais chegaram ao local jogando bombas de gás lacrimogênio. Os trabalhadores rurais só possuíam apenas suas ferramentas de trabalho como foices, facões,enxadas, paus, etc. Uma semana depois do massacre, o governo federal confirmou a criação do Ministério da Reforma Agrária e, em 2002, o presidente FHC instituiu essa data como o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária.

Hoje completa-se 16 anos do massacre, que ainda não puniu nenhum dos seus responsáveis. Dos 155 acusados, 142 foram absolvidos e 11 foram retirados do processo. Em 2002, os dois oficiais (coronel Mario Colares Pantoja e major José Maria Pereira Oliveira), que comandaram a operação, reprimindo com morte a manifestação dos sem-terras, foram condenados (respectivamente a 228 e 154 anos de prisão). No entanto, apesar da sentença, os dois respondem em liberdade, sem previsão para execução da pena.

Monumento em Memória ao massacre

O massacre marcou a história povo do Pará e de todos os trabalhadores rurais que seguem na luta por seu pedaço de terra em meio aos grandes latifúndios do Brasil. Infelizmente, os embates entre os sem-terras e os grandes fazendeiros seguem na mesma crescente da concentração de terras do país. Além disso, o estado do Pará hoje vive uma luta contra a construção da Usina de Belo Monte, ao longo do Rio Xingu, que significa uma ameaça para o meio ambiente e às terras indígenas.

O “Abril Vermelho” passou a ser um mês de manifestações para lembrar as vítimas do “Massacre de Eldorado dos Carajás”.

 

*Paola Rodrigues é estudantes de Jornalismo e do DCE da UFRGS